Antônio Frizzo

Vamos terceirizar?

Antônio Frizzo
Escrito por Antônio Frizzo

VAMOS TERCEIRIZAR?
E o Supremo Tribunal Federal – STF – decidiu, por maioria, que a “terceirização irrestrita nas atividades-fim das empresas é constitucional”. A decisão impactará algo em torno de quatro mil processos que aguardavam definição do tema. E já se verificou o resultado disso: segundo o jornal ZH, o Hospital Mãe de Deus já demitiu 350 funcionários, ligados aos serviços de nutrição e limpeza. Eles não poderão ser contratados por uma empresa de terceirização – a lei impede que eles trabalhem no mesmo emprego por 18 meses – e serão substituídos por novos funcionários. Certamente, a responsabilidade subsidiária deverá continuar com a empresa contratante. Resta saber no que tudo isso resultará.

POR QUE NÃO DE FORMA GERAL?
Sim, entendo que a terceirização poderia e DEVERIA ser para TODOS, já que “todos são iguais perante a lei”, não? Assim sendo, penso que a solução para os grandes problemas brasileiros poderá ser com a terceirização dos serviços públicos mais caros. Nas prefeituras, por exemplo, quantos poderiam ser dispensados e contratados terceirizados? E nos Estados? E no governo federal? E o judiciário? E em todos os parlamentos brasileiros? Colocar-se-ia terceirizados que seriam substituídos por outros nas férias, nos atestados médicos, gravidez e, mesmo, por falta de competência. O povo poderia ser representado por cidadãos de notório saber e conhecimentos na área a ser terceirizada. Com isso, acabar-se-ia com os salários abusivos autoatribuidos e outras tantas benesses – como aposentadorias e pensões – muito além das que os cidadãos mortais recebem. Será que valerá para todos, senhores ministros do STF?

QUE ELEIÇÕES TEREMOS?
Ninguém mais têm dúvidas sobre o fato de termos eleições totalmente diferentes das demais, desde a década de 1980. Além de 35 partidos – o que, por si, já é um absurdo, uma excrescência inominável, já que todos sabem a razão financeira que o povo está pagando -, teremos uma série de candidatos que, obviamente, só o serão por falta de melhores opções nos partidos. E isso em todos os cargos eletivos. Raros são os que, com “ficha limpa” de verdade-verdadeira, receberão verbas do famigerado e indecente “Fundo Partidário”. Nós, povo, pagamos, com nossos impostos, os bilhões desse tal de fundo e “eles” decidem quem serão abonados com o dinheiro. Em resumo, os que não fazem parte do “esquema” não terão acesso a ele ou terão migalhas. Assim, graças ao dinheiro, poderão ter melhores condições para a eleição. Uma eleição de “cartas marcadas”?

PESQUISAS
Estamos sendo massacrados por pesquisas. Cada partido, cada interessado as utiliza a seu favor se o resultado lhe for benéfico, senão “não passam de pesquisas COMPRADAS”. Lula, como até os pardais da Praça Vico sabiam, não poderá ser candidato, apesar de liderar todas as pesquisas. Os demais, caso eleitos, jamais governarão sem unir-se ao que há de pior na política brasileira. Os “donos do Brasil” estão na espreita, fazendo a Bolsa e o dólar variar conforme seus “interésses”, usando as pesquisas e a politicanalhada para atingir seus inconfessáveis, mas sabidos, objetivos. Em síntese, nada mudará no Brasil pelos próximos 400 anos. Ninguém viverá para ver e testemunhar.

IMPUNIDADE
Quem já não ouviu falar do condenado que cumpriu prisão pelo que fez, o ex-deputado Roberto Jeferson? Pois, por mais incrível que possa parecer, além de se tornar (ou continuar?) sendo presidente do PTB, conseguiu conquistar como aliados o governo Temer e sua trupe. Mas, ele conseguiu poderes inimagináveis em qualquer país sério. Deputados e outros políticos ligados a ele dominaram o Ministério do Trabalho de Temer e estão sendo denunciados por irregularidades. Até a filha dele, deputada, tem poderes dentro do ministério. Será que não é só as figurinhas carimbadas do PSDB que conseguem seguir impunes?

E DEPOIS, COMO SERÁ?
Podemos votar em quem quisermos para os cargos majoritários – presidente e governador -, mas há que se ter a consciência de que eles serão obrigados a fazer alianças e coligações com parlamentares de outros partidos. Com seu partido, nenhum presidente ou governador poderá governar. Terá que “comer” na mão dos respectivos parlamentos. Tanto quando os prefeitos. Tudo isso graças a um lixo de Constituição feita sob peso e medida para atender aos “interésses” deles. Então, penso que seja quem forem os eleitos à presidência e aos governos estaduais eles terão que se aliar a deputados e senadores, com tudo o de ruim disso advindo, já devidamente comprovado por fatos concretos e de conhecimento público. O “Mensalão do PT e do PSDB”, a “Lava Jato” (Protagonizada por dezenas de partidos) e uma série de falcatruas denunciadas atestam isso. Como será depois da eleição? Exatamente igual ao que sempre tem sido. Pobre Brasil!

ÚLTIMAS

Primeira
Segundo o secretário da Segurança Pública, José Paulo Marinho, o sistema de “cercamento eletrônico” de Bento Gonçalves está sendo implementado, faltando detalhes para funcionar totalmente;

Segunda
Disse-me ele, também, que a utilização de número único para se chamar bombeiros, polícia e outros deverá acontecer brevemente;

Terceira
Apesar de tudo, ainda me surpreendeu quando Marinho me disse que há quem liga para o 190 para pedir números de telefones que poderiam ser obtidos até pela internet;

Quarta 
Vamos aguardar, portanto, para que o “cercamento eletrônico” nos seja disponibilizado integralmente e tenhamos menos, muito menos criminalidade por aqui;

Quinta
O que precisará sofrer uma forte ação dos agentes de trânsito são os estacionamentos para idosos, deficientes e outros devidamente previstos na LEI;

Sexta
Há muito tempo o fator “bom senso” deixou de existir em setores da população. Essa só respeita a lei se for punida. Ignoram que é obrigatório o uso do cartão fornecido pela prefeitura para estacionar onde é regulamentado;

Sétima
Perguntar não ofende: afinal, por que só determinados prédios têm que se adequar à lei e apresentar inúmeras ações para obter o PPCI? Museu e outros órgãos públicos não precisam?

Oitava
Depois de quarta-feira, se alguém ainda tem dúvidas sobre quem será o campeão brasileiro de 2018 é só perguntar no Beira-Rio ou para um colorado, inclusive quem vencerá o grenal de amanhã.

Sobre o autor

Antônio Frizzo

Antônio Frizzo

Economista e colunista do Jornal Semanário há 35 anos.
antoniofrizzo@italnet.com.br
www.jornalsemanario.com.br

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