Cultura

Uma nova visão sobre o corpo

Cleunice Pellenz
Escrito por Cleunice Pellenz

Exposição “Outros corpos – sobre apropriações, solidões e fragilidades”, de Edson Possamai, pode ser conferida até o dia 5 de maio no Museu do Imigrante

Até o dia 5 de maio, o Museu do imigrante recebe a exposição visual ‘Outros corpos – sobre apropriações, solidões e fragilidades, de Edson Possamai. A mostra traz gravuras (xilogravuras) inéditas e um livro de artista que explora o corpo como objeto de e para a arte. Nas obras o artista visual movimenta-se, através da gravura contemporânea, sobre a tônica do corpo como objeto com potencial estético e artístico, reconhecendo-o como instrumento de comunicação.

Neste processo de ressignificação o artista busca imprimir nas cenas novas histórias, indagando a novos olhares sobre o ato da apropriação como ação cotidiana – nos seus mais variados aspectos – valendo-se do corpo como comunicador, na manifestação das solidões e das fragilidades humanas. Atuando sob a conduta cotidiana da apropriação, o artista, atento às imagens corporais disseminadas em mídias sociais, delas apodera-se e as ressignifica, num processo de observação da não-presença, da solidão e das fragilidades contidas nas cenas.
De acordo com Possamai, esta exposição é uma ‘etapa’ de uma pesquisa desenvolvida por ele sobre o estudo do corpo e sua imagem como objeto de arte e para a arte. Segundo ele, cada pessoa que passará pelo local para verificar a mostra terá uma experiência diferente. “As descobertas que uma pessoa pode ter dentro de uma exposição são derivadas delas mesmas, suas experiências, suas bagagens, suas memórias afetivas… Elas são sempre muito pessoais, e as vezes, passam a fazer sentido dias depois, fora da exposição”, esclarece. Possamai revela que a intenção da produção das xilogravuras vem das inquietações de expor as suas percepções individuais sobre os assuntos das obras. “De uma forma subjetiva, mas sim, com a intenção de comunicar… ou melhor, provocar uma comunicação do público/sujeito consigo mesmo”, pontua. Cada pessoa compreenderá a exposição de sua forma, revelando pensamentos e atitudes que convergem e permeiam os pensamentos.

O artista também relata que a exposição não teve um planejamento específico, mas que produz continuamente na busca de melhorias e com a possibilidade de ser acolhido por um espaço expositivo. “Neste caso, identifiquei quais das obras do acervo deveriam ser expostas neste momento, pois são inúmeras as variáveis que me fizeram decidir por estas obras, que comungam de um mesmo raciocínio”, ressalta.

Cada obra tem um determinado tempo para ser feita. Com as xilogravuras produzidas por Possamai não foi diferente. “Cada obra tem seu tempo de pensamento, planejamento e execução… estes trabalhos são de uma série mais recente, mas que ao mesmo tempo derivam de uma pesquisa que já tem algum tempo de caminhada. Tenho obras nesta exposição que precisaram um ano para que pudessem ser trabalhadas, devido aos materiais e técnicas usadas, por exemplo”, avalia.

“Outros corpos – sobre apropriações, solidões e fragilidades” está exposto no Museu do Imigrante até o dia 5 de maio e pode ser conferida de terça-feira ao sábado, das 8h30min às 11h30min e das 13h30min às 17h30min.

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Cleunice Pellenz

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