Editorial

Uma data além de convicções

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

Nesta quarta-feira é comemorado o Dia Internacional da Luta dos Trabalhadores do Campo. Data além de qualquer simbolismo ou resquício ideológico, o dia marca a batalha e a vida, quase sempre sofrida, do homem do interior. É comum a mídia repercutir queixas de produtores rurais e de entidades que os representam sobre a falta de infraestrutura para desenvolverem suas atividades de forma competitiva nestas datas; nada mais justo.

Os mesmos atores, de uns anos para cá, ranqueiam o País na liderança mundial de vários setores agropecuários, desfiando conquistas da balança comercial mesmo com nossa moeda sobrevalorizada, participação crescente do agronegócio no PIB e preços relativos dos alimentos numa agricultura minimamente subsidiada.

Tudo também muito verdadeiro. Duas situações, porém, que sugerem uma pergunta: afinal, somos ou não competitivos? Imagino a resposta de muitos: poderíamos ser muito mais.
Lembremo-nos que o Rio Grande do Sul, assim como o Brasil, não é um Estado apenas com falta de infraestrutura para a produção. Ela se mantém inadequada para qualquer atividade, seja esta econômica, social ou cultural.

É comum repercutir queixas de produtores rurais sobre a falta de infraestrutura para desenvolverem suas atividades de forma competitiva nestas datas; nada mais justo.

Assim como nos faltam portos, modais de transportes e armazéns para viabilizarmos grandes safras agrícolas, também não nos sobram escolas, hospitais e aparelhos de saneamento básico para formatar uma população de vida qualificada.

Estado de industrialização tardia, as obras de infraestrutura aqui sempre estiveram a cargo do outros, e em períodos de bonança econômica. Não é prudente colocar a carroça na frente dos bois, sobretudo, quando há necessidades mais prementes. A agricultura quando se expande em direção às novas fronteiras tem uma velocidade da luz. A infraestrutura, de tartaruga.

Enquanto a agricultura vai mobilizando o cultivo para rincões longínquos, mas adequados climaticamente e a preços de terras acessíveis, seus olhares para a infraestrutura do local são tímidos e raramente solucionados, como os casos no interior da Serra.

As estradas poderão ser longos caminhos de terra intransitáveis durante o período de chuvas. A energia pode será resolvida com um pequeno gerador. Os mercados internos e os portos de exportação próximos não estarão aparelhados, a safra atravessará longas distâncias e pagará fretes caríssimos até atingir locais mais bem estruturados. Enquanto fomos coadjuvantes e não protagonistas em nosso tempo e com nossos recursos, o homem do campo não receberá o destaque que merece e, por muito tempo, ainda sofrerá.

Sobre o autor

Cristiano Migon

Cristiano Migon

editoria@jornalsemanario.com.br

Deixe um comentário