Andressa Borges

Um tour pelo cérebro

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

Chega a sexta-feira. O alívio de terminar uma semana com o despertador ativado. Tudo é possível nesta noite, sair, assistir até tarde. Engraçado que aos sábados acordo cedo por opção para correr 5km. Por que na sexta à noite sou livre se no sábado acordo no mesmo horário que nos outros dias e ainda mais porque EU QUERO? Por que acordo cedo para CORRER se posso ficar dormindo, coisa que passei os últimos cinco dias desejando como se fosse a última água do deserto?

Nosso inconsciente é fantástico. Para os que não sabem que ele existe, são auto sabotados diariamente. Para os evoluídos, uma constante mudança de hábitos para melhor. Para mim, uma frustrante certeza do que devo fazer, mas não consigo. É como gritar sem ter voz, ver um prédio ruindo sem poder fazer nada, estar consciente e não poder se mover.
Qualquer que seja o plano, ele precisa começar agora. Sempre agora, a partir daquele momento, minutos depois do que se pensou. Não existe planejamento, nem planilha que funcione. Sou a personificação perfeita da procrastinação. Não posso deixar nada para amanhã, porque este amanhã perfeito onde há banho, café e jornal na TV pela manhã não existe (aliás, meu sonho Brasil).

Por falar em TV, estou sem, acho que já falei por aqui, mas reitero em vossos corações a moléstia de lavar a louça sem ouvir o bordão do Jornal Nacional nem dos gemidos sufocantes da novela das 9. Também preciso comprar uma bolsa nova. Minha bolsa tira toda credibilidade da minha imagem, mas ando com muito dó de gastar para comprar essas coisas. Estou adiando há alguns meses e é um sarro achar que o fruto disso é uma economia de dinheiro.

– Comprar TV? Não posso.
– Tênis novo? Sim, preciso para a academia.
– Bolsa nova? Bah, não vai dar agora…
– Melissas? Nossa, era tudo o que eu mais queria.
– TV? Vou esperar mais um pouco.
– Dromedários? Claro, quero dois!

Porque raios a mente acha que está tudo certo quando está tudo errado? Porque a mente é sacana, tenta enganar o tempo inteiro, quem caiu, caiu. Desde quando um sonho é sinônimo de ansiedade e tristeza? Desde quando se comparar com os outros e se sentir menosprezado é mesmo um ato de bravura?

Quem sabe o maior inimigo está dentro de cada um, sabotando planos, sorrisos e noites de sono. Pode ser que hoje não sei dizer quem sou ou o que quero para o futuro, quem sabe só estou no meio daquela fumaça artificial de festa sem lentes de contato tentando dançar e ao mesmo tempo enxergar dois palmos à frente dos olhos.

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