Cultura

Tradicionalismo: encontro marcado por gerações

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Centenas de participantes devem se reunir em evento programado para receber ex-prendas e ex-peões da 11ª R.T.

“No meu tempo” deverá ser a frase mais ouvida durante a Mateada Cultural e Encontro de ex-prendas e ex-peões regionais e estaduais, pertencentes à 11ª Região Tradicionalista. O evento ocorre no sábado, 24, na sede do CTG Os Desgarrados, em Guaporé. A atividade, que inicia às 13h30min, com o credenciamento dos participantes o momento será de integração, reflexão e aprendizado, onde as novas gerações poderão conhecer aqueles que os antecederam nesse ambiente que o tradicionalismo gaúcho propicia. A atividade é organizada pela gestão atual da região, integrando o projeto de fortalecimento da cultura gaúcha. Desde 1983, mais de 60 bento-gonçalvenses já conquistaram títulos e deverão participar do encontro.

Alice é uma das integrantes da equipe organizadora do evento. Foto: Reprodução

O momento, que vem sendo realizado há anos, acabou sendo transformado em 2017, num grande encontro com o objetivo de valorizar os tradicionalistas, além de integrar as gerações e conhecer como cada um daqueles que já ostentaram uma faixa ou crachá evoluíram ao longo do tempo. De acordo com a primeira prenda da 11ª R.T., Alice Pagliarini, Picolotto, inicialmente, haverá uma dinâmica para acolhimento dos participantes e depois uma roda de conversa sobre temais pontuais que envolvem o tradicionalismo. “Teremos dois depoimentos de uma prenda e um peão, falando sobre o incentivo deles aos jovens que hoje estão envolvidos no meio tradicionalista. Estamos organizando um momento também para sessões de fotos”, aponta.

Durante o encontro, os participantes poderão relembrar momentos únicos das gestões e das etapas que levam a ostentar o título de Primeira Prenda ou Peão Farroupilha do Estado. Os postos requerem uma preparação de pelo menos três anos. Para colocar a faixa ou crachá, os representantes precisam vencer três eliminatórias, a local, regional e, por fim, a estadual. O momento, segundo Alice, será de grande importância, principalmente, pela troca de experiências, mas, também, por estar voltado ao tema anual do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG): “Unindo gerações para construir o amanhã”. “Este tema é bastante defensivo na participação do jovem no meio tradicionalista em companhia de seus antepassados. O objetivo do evento também está de acordo com a valorização de todos os jovens que por muitos anos ocuparam esses cargos de prendas e peões regionais”, explica.

Dedicação incansável

Liss Rizzi é coordenadora cultural do CTG Laço Velho

O encontro também deverá servir para relembrar de todos os momentos vividos durante as gestões, entre eles, os preparativos e a dedicação para conquistar as maiores premiações. A coordenadora Cultural do CTG Laço Velho, Liss Rizzi, explica como funcionam as provas, compromissos e toda a preparação para os concursos internos, regionais e estaduais:

Peões regionais e estadual falam sobre o período de suas gestões

Para ser um peão ou uma prenda do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), não basta apenas ter simpatia ou um rostinho bonito. O modo de se comportar e a beleza física dos concorrentes, é apenas um coadjuvante em concursos de MTG, onde a avaliação é feita de forma criteriosa para que sejam escolhidos representantes que estejam envolvidos com a cultura e as raízes tradicionalistas.

O bento-gonçalvense Lucio Dalmas Santos conquistou em três oportunidades diferentes, títulos regionais e conta como foram as experiências.

Lucio participa há anos do tradicionalismo. Foto: Reprodução

“Integrei a gestão regional em três oportunidades: 1998/1999, como Segundo Peão Farroupilha, 2003/2004, como Peão Farroupilha e 2008/2009, como Peão Farroupilha Destaque Artístico.
Foram experiências incríveis e completamente diferentes em cada uma destas gestões. Todo o processo de preparação para cada um dos concursos me ajudaram muito a conhecer a nossa história, valorizar a nossa tradição, nossos usos e costumes e desenvolver o lado pessoal, o qual não está necessariamente relacionado ao tradicionalismo, lado este que me acompanha até hoje, como a capacidade de desenvolver assuntos em público, usar o microfone, me portar perante as pessoas. Sempre fui muito acanhado e com o passar do tempo e destas experiências, consegui evoluir neste comportamento. As gestões de peões e prendas nos trazem a necessidade de conviver em grupo com ideias e lugares diferentes, mas, que ao mesmo tempo querem o mesmo objetivo, divulgar e trabalhar o tradicionalismo, fazendo com que aprendamos a trabalhar em grupo.
A experiência de participar do Concurso Estadual de Peões foi algo indescritível. O frio na barriga sempre chega trazendo dúvidas se realmente sabemos as atividades e se temos a capacidade de representar o nosso Rio Grande. A preparação deste concurso foi bem mais intensa, tendo em vista que encontraria exímios peões campeiros, artistas de outras regiões e pessoas de cultura e estudo apurados, então recebia muito apoio das entidades da região para que pudesse desenvolver as habilidades para tal, demonstrando o carinho e dedicação que as pessoas tem conosco.
Sinto muitas saudades destas épocas de confraternização e aprendizado intenso, onde rodávamos quilômetros e quilômetros Rio Grande a fora, conhecendo mais pessoas e lugares e compartilhando experiências, sem esperar nada em troca a não ser o nosso enriquecimento cultural”.

O garibaldense Douglas Uillian Quadros foi mais longe e conquistou o título estadual em 2011/2012 e até hoje relembra dos momentos e das experiências que o tradicionalismo lhe trouxe.

Douglas conquistou o título máximo dos concursos. Foto: Arquivo Pessoal

“O tradicionalismo gaúcho faz da juventude que participa pessoas diferenciadas. O respeito com as pessoas, compromissos na elaboração de eventos, atividades relacionadas para a propagação da cultura cria líderes e pessoas que aprendem a admirar a cultura local. Tive o privilégio de por um ano ser um representante da juventude gaúcha com p título de Peão Farroupilha do RS 11/12, o empenho para obtenção do cargo é Constante e muito árduo. A gratificação é eterna. O aprendizado incomparável é imenso. O tradicionalismo nos da a alegria de criar novas amizades em todo p estado e a buscar auxiliar outras pessoas com os conhecimentos adquiridos”.

Sobre o autor

Ranieri Moriggi

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