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Superpai: a missão de cuidar sozinho dos três filhos

Suellen Krieger
Escrito por Suellen Krieger

O casal de gêmeos Vynicius e Vytoria, de um ano e sete meses e a irmã Clara, de nove meses, ainda são muito pequenos para compreender o significado do Dia dos Pais, comemorado amanhã. Entretanto, quando maiores, a data deverá ser apenas um motivo a mais para agradecer ao pai, Marciano Melo dos Santos, de 34 anos, por tudo que tem feito por eles.

Há pouco mais de cinco meses, o trio perdeu a mãe, Adriana Santos da Silva, 32 anos, que faleceu de parada cardíaca e infarto. A responsabilidade pela vida dos três ficou a cargo do pai, que desde então cuida sozinho dos filhos. Para alguns, seguir a vida diante desse cenário talvez pareça uma missão quase impossível, mas não para Santos, que vem se reerguendo pelos filhos. “Estava trabalhando, quando cheguei em casa minha esposa estava caída no chão, falecida. Não esperava passar por essa situação, mas tenho que erguer a cabeça e seguir. A vida continua. Pode acontecer com qualquer um”, diz Santos.

De lá para cá, a rotina da família mudou. Diariamente, às 6h30 da manhã Santos deixa os três filhos na Escola Municipal Infantil Luz do Amanhã. É lá mesmo que pega ônibus para ir trabalhar como lapidador na empresa Cinex Inovação e Emoção. Ao sair do trabalho, busca as crianças na creche e vai para casa, onde dedica o resto do tempo para os filhos. “A vida está um pouco corrida, mas já estamos acostumados. Logo que chego, coloco eles para dormir um pouco, aí me acalmo, arrumo uma água e vou acordando um de cada vez para dar banho. Eles se agitam, olham televisão, comem alguma coisa e aí lá pelas 22h30min dormem de novo e eu continuo com os afazeres da casa”, relata o pai.

Pai Marciano Melo dos Santos e os três filhos

Embora defina a rotina como puxada, Santos diz que não se sente cansado em cuidar dos filhos. “Não é difícil, porque eles não me dão trabalho. Só choram se estão doentinhos, como o Vynicius que começou a nascer os dentes de trás e deu febre, me chamaram na escola, eu corri atrás de médico, mas agora já está sendo medicado, bem cuidado, qualquer coisa que acontece eles me ligam, eu pego uma folga no trabalho e venho, porque eu quero estar presente em tudo, nas consultas, nas vacinas”, afirma o pai.

Tanto a família de Santos quanto da falecida esposa são moradores do município de Bossoroca, distante cerca de 486 km de Bento Gonçalves. Mesmo sem a presença deles por perto, o pai admite que em nenhum momento pensou que pudesse não dar conta de cuidar sozinho dos três filhos pequenos. “Coloquei na minha cabeça que sou capaz e estou conseguindo, venho dando a volta por cima. Procuro levantar e continuar, ficar calmo, porque às vezes temos algum problema, mas não deixo interferir, eu não consigo ficar triste porque eles não deixam. De noite acordo três, quatro vezes para cuidar deles, se for preciso acordo mais vezes, porque eu fiquei encarregado deles, agora é eles e eu, então tenho que me manter firme”, explica.

De acordo com Marciano, o primeiro dia dos pais desde que a mãe partiu vai ter um significado diferente. “Inclusive pela falta dela, não está completo. No momento que eu ficar sozinho, possivelmente vou pensar, vou refletir. Recém estou caindo na realidade de que isso aconteceu, até poucos dias eu ainda não estava acreditando”, assume Marciano.

Embora neste domingo seja o Dia dos Pais, Marciano confessa que agora também se sente mãe dos pequenos. “Eles convivem com outras pessoas e escutam as outras crianças chamando mãe a pai, daí chegam em casa e repetem, me chamam de mãe”, conta.

Para o futuro

Santos afirma querer dar para os três tudo que não teve, inclusive, estudos, já que o pai só teve a oportunidade de estudar até a 5° série. “Quero adquirir o máximo agora, porque sei que lá no futuro vai fazer diferença. Quero manter eles em uma escola boa, que possam fazer faculdade. Quero que eles sintam orgulho do pai que tem”, finaliza.

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