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“Só através da eleição mudaremos o país”

Mariana Maioli
Escrito por Mariana Maioli

O simbolismo da música “Que País é Este”, entoada pelo Coro da Abraçaí momentos antes da fala da senadora Ana Amélia Lemos (PP) no Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC-BG), balizou seu discurso no Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves no dia 18 de maio.
Para mudar o Brasil , a senadora gaúcha disse que o único meio é o democrático. “Só através da eleição”, comentou a jornalista, que também recebeu uma pauta de reivindicações como a conclusão da BR-470. “Vejo muitas pessoas dizendo que não vão votar porque só tem corrupto no Congresso. Essa generalização é um pecado, não podemos colocar todos no mesmo balaio. O bom político faz a diferença em relação às demandas”, disse Ana Amélia, que fez um apelo: “Não estimulem a anulação de voto, não estimulem a ausência no dia da eleição porque a multa é pequena, não estimulem o voto em branco, não estimulem em anular o voto. Precisamos nos empoderar com o título de eleitor e fazer dele o instrumento da mudança para o país que queremos”.

Para isso, o eleitor também precisa mudar. “Não podemos terceirizar a ética”, disse Ana Amélia. “Se em Brasília há pessoas corruptas, é porque elas chegaram lá de algum modo, ninguém chega lá sozinho. As pessoas chegam lá consagradas pelo voto popular. É a sociedade quem escolhe”.
A senadora também acredita que há outros poderes institucionais que estão renovando as esperanças da população, e que esse momento precisa ser aproveitado. Para ela, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pela Lava-Jato no caso do tríplex do Guarujá (SP), é um sinalizador de que o país está exercendo seu estado democrático de direito. “Está funcionando do jeito que queremos, um país em que a lei seja igual para todos. Esse é o conforto que nós, cidadãos brasileiros, temos. Essa é a hora do aperfeiçoamento das instituições”, comentou.

A senadora ponderou, no entanto, que há um cenário mais nebuloso quanto à disputa da Presidência da República. “A única certeza que eu tenho é esperar até o dia 15 de agosto para saber quem sobra, com ficha limpa, para fazer o registro de suas candidaturas”. Ana Amélia também fez um breve relato sobre algumas posturas adotadas durante seu mandato. Sobre a reforma trabalhista, disse que votou favorável porque tinha a certeza de que nenhum direito do trabalhador seria retirado, ao contrário do que ocorreu quando analisou a reforma previdenciária. “Primeiramente, o governo que vai decidir sobre isso precisa ser eleito pelo voto para ter legitimidade para uma decisão dessa e dizer como vai fazer, e também porque haveria a retirada do benefício da aposentadoria rural”.

BR-470 e outras reivindicações

A vinda da senadora foi marcada também por reivindicações da comunidade regional, como a celeridade no atendimento de cirurgias ortopédicas no hospital de referência, em Caxias do Sul e, principalmente, a conclusão da BR-470. Hoje, são necessários cerca de 45 quilômetros de asfalto para finalizar o trecho entre os municípios de André da Rocha e Lagoa Vermelha. Segundo o presidente da Associação dos Municípios da Encosta do Nordeste (Amesne), Waldemar De Carli, a estrada pode ser a mais importante do Estado. “Ela tem potencial tanto econômico quanto turístico, pois liga o Rio Grande do Sul de Norte a Sul quase em linha reta”, comentou De Carli, também prefeito de Veranópolis.
No encontro, também foi apresentado um estudo sobre a rodovia. O pedido para conclusão da estrada parte de uma região com cerca 300 mil habitantes e que registrou, em 2015, um PIB de R$ 13 bilhões. Além de escoar a produção, desafogaria o trânsito da BR-116. A ideia é que a BR 470 seja utilizada para acessar o centro do país. Segundo o Plano de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul e o Plano Nacional, existe a previsão de duplicar dois trechos da rodovia na região, entre Bento Gonçalves e Nova Prata até 2024 e entre Bento e Carlos Barbosa até 2029. “Queremos antecipar isso, mas precisamos transformar o que parece uma estrada do interior neste trecho de 45 quilômetros em efetivamente na nossa rodovia da região nordeste do Rio Grande do Sul”, disse Monica Mattia, Docente da Universidade de Caxias do Sul, que produziu o estudo, e Coordenadora Executiva do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede-Serra).

A pauta foi entregue ao ministro dos Transportes, Valter Casimiro no dia 22, em audiência com representantes políticos e entidades regionais. Outra necessidade, entregue para a senadora, é sua intervenção, através do Ministério da Saúde, para agilizar o atendimento a 2,8 mil pessoas que aguardam a realização de cirurgias ortopédicas.
Mobilização reivindica condições para produzir

A mobilização que congregou representantes de mais de 20 entidades setoriais e de cerca de 40 prefeituras de municípios da região em torno da conclusão das obras na BR-470 foi uma clara demonstração de como a união pode fomentar importantes conquistas coletivas, na opinião do presidente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves, Elton Paulo Gialdi. “Estamos reunidos independentemente de partidos políticos, acima de interesses individuais, lutando para reivindicar essa importante melhoria para a região. Não estamos pleiteando privilégios ou favorecimentos por parte do Governo, apenas condições básicas de estrutura para uma região que tanto produz e já provou sua capacidade, competência e vocação empreendedora”, disse o presidente ao falar dos cerca de 45 quilômetros de asfalto necessários para finalização da rodovia.

Ressaltando a importância desse engajamento também sob o viés político, Gialdi tornou a provocar a necessidade de envolvimento dos cidadãos, especialmente do empresariado, na tomada de decisões – seja em âmbito municipal, estadual ou federal. “Por muito tempo, deixamos o país ao encargo de políticos totalmente despreparados e até mesmo motivados por intenções nada nobres. Como resultado, hoje temos um país dilapidado, loteado por interesses obscuros, pessoais e partidários. Agora, é hora de reagir. Precisamos aprender a fazer política – não aquela partidária, mas a construtiva. Essa é a ferramenta que decide o futuro das sociedades e nós precisamos assumir papel ativo e responsável nesse processo. Somente assim poderemos ver nossos interesses corretamente representados e reivindicar aquilo que entendemos como prioridade: segurança, saúde, educação, infraestrutura, redução tributária, entre outros”, diz.

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