Cultura

Semana Farroupilha: o tropeirismo, na essência do termo

Da Redação
Escrito por Da Redação

Reportagem aborda o significado do tema eleito para o feriado gaúcho e curiosidades sobre parte do traje tradicional

A Semana Farroupilha é um dos principais eventos de enaltecimento da cultura gaúcha. É um momento especial de culto às tradições sulistas, transcendendo o próprio Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Ela envolve praticamente toda a população do Estado, se não fisicamente – nos locais organizados para festejos – participando das iniciativas do comércio, dos serviços públicos, das instituições financeiras ou das indústrias. Em 2018, o tema eleito é “Tropeirismo – Contribuição para a formação da identidade sul rio-grandense”. Mas afinal, o que é o tropeirismo?

A palavra tropeiro vem de tropa, numa referencia aos homens que, em grupo, transportavam o gado de uma região para outra ou ainda, transportavam mercadorias, usando o gado como meio de transporte, na época do Brasil Colônia.

Os tropeiros usavam chapéu, poncho e botas para proteção contra intempéries, animais bravos e perigos das matas por onde passavam. Sua alimentação era simples e de fácil preparo, constituída por feijão preto, toucinho, carne de sol, farinha, pimenta-do-reino, café e fubá. O feijão tropeiro (feijão quase sem caldo, com pedaços de carne de sol e toucinho) é utilizado na culinária até os dias de hoje.

Bebidas alcoólicas não eram permitidas, somente em ocasiões especiais. Usavam a cachaça como remédio para picada de insetos e, nos dias de muito frio, tomavam um gole para evitar resfriado.

Ao final de cada dia, paravam para pernoitar e descansar os animais, sempre perto de um rio ou fonte de água. Acendiam o fogo que tanto servia para espantar os animais indesejados, para iluminar o ambiente como para preparar os alimentos e se aquecerem nas noites frias.

Ao longo dos tempos, os principais locais de parada se transformaram em povoações e vilas. Foram surgindo os bolichos de campanha, que se abasteciam dos tropeiros e, mais tarde, dos mascates. Estes locais de comércio também lhes forneciam alguns produto necessários.

Alguns modelos de nós de lenço

Em muitos momentos da história, o lenço foi símbolo de filiação política, conforme a cor e até o modo de atá-lo ao pescoço, a semelhança da Banda Oriental e do lado castelhano.

No sul, o lenço tinha função de proteção, para sustentar o cabelo, e também, por ser de seda, para cegar o corte de armas brancas durante uma disputa, com destaque para sua aplicação durante o período da Revolução Libertadora, por Maragatos e Chimangos. Hoje, o lenço é um complemento da indumentária gaúcha e deve seguir a normatização do MTG para que a tradição gaúcha não seja desvirtuada: as cores permitidas são: vermelho; branco; azul; verde; amarelo e carijó, nas mesmas cores citadas. É possível, ainda, carijós em marrom ou cinza. Normalmente os lenços de tamanho adulto têm medidas de 1 (um) metro quadrado, sendo aconselhado que seja utilizado inteiro (muitos cortam o lenço ao meio, fazendo duas peças), para que não fique delgado demais – o que pode confundir com tira ou fita, o que não é permitido.

 

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