Editorial

São João e a prudência

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

Faz parte do sistema democrático a alternância de mandatários à frente dos governos. Deveria ser o procedimento padrão na transição entre gestões que a “passagem de bastão” ocorresse da forma mais transparente possível, sem qualquer motivo para interrupção de projetos e serviços que a população precisa. Infelizmente, não é assim que ocorre geralmente no País. Como resultado, muitos gestores herdam promessas e obras pela metade, ou mesmo sequer iniciadas, o que acaba colocando a administração em uma espécie de “cobertor curto”, onde de um lado, a população reivindica por suas melhorias, e de outro, o orçamento comprime, para não gerar inconvenientes.

Embora a melhora viária no acesso ao São João não tenha sido herdada, a comunidade aguarda há alguns bons anos pela atenção do Executivo a um dos locais que se tornou pontos dos mais caóticos de toda a Bento Gonçalves, o acesso ao bairro, pela BR-470. Segundo a estimativa da Prefeitura, cerca de oito mil carros trafegam pelo local, o que, evidentemente, congestiona o trânsito, como ocorre em boa parte da cidade em horários de pico. Entretanto, ao contrário do primeiro exemplo, ainda existe esperança para a rodovia.

Bento Gonçalves encerrou 2018 com déficit de R$ 9 milhões. Torcemos para que não encerre 2019 com um valor bem além do projetado

A Câmara de Vereadores aprovou, na sessão de segunda-feira, a contratação de um financiamento expressivo junto à Caixa Econômica Federal. São R$ 18 milhões, sendo que destes, R$ 15 mi serão destinados exclusivamente para o ponto, que receberá uma espécie de túnel de ligação, a fim de amenizar a entrada e saída dos bairros da área dos pontos críticos.

O projeto é louvável, embora já se possa antecipar a dor de cabeça das constantes interrupções no fluxo de veículos do local, o entra e sai de máquinas e as mais diversas dificuldades que uma obra desta magnitude possa gerar. Contudo, o que precisa ser averiguado, de forma sensível, é o período de pagamento para a credora federal. Nos últimos seis anos, temos ouvido duras críticas do governo sobre a gestão PT na cidade, que deixou os cofres em situação sensível e levou um bom tempo para recuperação.

Não sejamos pessimistas ou mesmo ingênuos ao ponto de criticar uma construção deste porte, em uma área tão necessitada. O que não pode ocorrer, e neste sentido as 100 obras prometidas por Pasin no começo do ano soam o alarme da prudência, é entregar, em 2020, o governo ao seu sucessor da mesma forma que o encontrou, em frangalhos e cheio de contas a pagar. Bento encerrou 2018 com déficit de R$ 9 milhões. Torcemos para que não encerre 2019 com um valor bem além do projetado. Como dizem, a prudência é a filha mais velha da sabedoria.

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