Denise Da Ré

Santa Ajuda

Denise Da Ré
Escrito por Denise Da Ré

O Bolsonaro acaba de nos dar um prato cheio para uma aula de Português inesquecível, ao ser questionado em entrevista sobre o destino da verba “auxílio-moradia”, já que ele dispunha de imóvel próprio em Brasília. Disse ele:
-Usei esse dinheiro pra comer gente.

Pois é! Tendo dinheiro – nem que seja do povo – cada um come o que quiser. Mas, olha só: a vírgula, este risquinho de nada, faria toda a diferença – acho até que é por causa das vírgulas ou a falta delas que existem advogados.
Se o eminente deputado tivesse usado uma simples virgulinha, a polêmica estaria encerrada. Vejam:

-Usei esse dinheiro pra comer, gente!

Que é o mesmo de:

-Gente, usei esse dinheiro pra comer!

Ora, todo mundo precisa comer, não é verdade? E bolinhos de bacalhau, camarão, queijos e iogurte de qualidade custam caro. Quem nos garante é o Sérgio Cabral…

O Papa Francisco não deixou por menos. Em sua visita ao Peru, deu uma aula de ética para as irmãs do Santuário do Senhor dos Milagres, em seu pronunciamento.

-O demônio é mentiroso e fofoqueiro. Tenta dividir, quer que uma fale mal da outra. Sabem o que é uma freira fofoqueira? É uma terrorista, porque a fofoca é como uma bomba”.

Ainda disse que as elas deveriam “morder a língua” quando tivessem vontade de fazer intrigas. Se bem que me pareceu meio machista. Será que padres não são fofoqueiros? Pensando bem, acho que eles, sim, mordem a língua, diante de revelações escabrosas. Sigilo de confissão é inviolável.

Quem disse que a “geração Z” ficou pra trás em relação à “galera WhatsApp?” Nós, as “vovós.com” não só usamos essa ferramenta, como fazemos o melhor uso dela, resgatando velhas amizades em novos encontros, onde a folclórica troca de receitas não é de remédios, mas de histórias de vida.

Por falar nisso, olha só o que essa gente bonita respondeu à pergunta sobre o que as motiva a sair da cama, de manhã:

“Receber o presente de mais um dia de vida…”

“Horário marcado.”

“A necessidade de nos movimentarmos, a fim de sentir que estamos vivos”

“O convívio com os familiares e até com desconhecidos…”

“Minha neta Luiza, que chega ao meu lado e diz – Vamos levantar, vó!”

Então, chegou a minha vez de revelar o nobre motivo que me faz sair da cama bem cedinho… Relutei um pouco, mas acabei revelando:

-Dor nas costas.

Sobre o autor

Denise Da Ré

Denise Da Ré

Professora, escritora e colunista do Jornal Semanário.
denisedarebg@gmail.com
www.jornalsemanario.com.br

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