Geral Saúde

Resgate da alimentação cuidadosa

Fábio Becker Loppe
Escrito por Fábio Becker Loppe

Garibaldi promove evento intermunicipal para debater a importância dos alimentos orgânicos e da agricultura familiar

Com a pressa da vida moderna, a proliferação de fast foods e de alimentos ultra processados, o cuidado com os hábitos alimentares saudáveis e o consumo de produtos naturais são preocupações que por muito tempo ficaram em segundo plano. Hoje, diante de números alarmantes de obesidade e desnutrição, a população, começa a diminuir a velocidade, e passa, novamente, a se conscientizar sobre a importância de uma boa alimentação e suas consequências para a saúde. É pensando nisso que ocorre o 4º Encontro Intermunicipal em Comemoração ao Dia Mundial da Alimentação, em Garibaldi, na quinta-feira, 18, a partir das 13h30, no salão comunitário de São Roque Figueira de Melo.

Organizado pelos escritórios municipais da Emater/RS-Ascar, junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Prefeituras Municipais de Garibaldi, Boa Vista do Sul e Coronel Pilar, o evento tem o objetivo de levar informações para a valorização e o fortalecimento da alimentação saudável e resgatar a cultura alimentar dos agricultores familiares.

 

Alimentação preventiva

Esse será o tópico central da palestra “A importância de uma alimentação saudável e natural, e os efeitos que a mesma tem sobre a saúde”, ministrada pelo italiano Alberto Bufano, especialista em segurança alimentar. Segundo ele, a conversa elucidará como os alimentos podem manter o bom estado de saúde e mesmo prevenir doenças.

Ele acredita que a forte publicidade da indústria alimentícia fez com que se criasse uma cultura de se consumir “coisas prontas, fáceis, coloridas”, repletas de conservantes, gorduras, açúcar, entre outros. Nesse sentido, destaca que os eventos desenvolvidos para o Dia Mundial da Alimentação são apenas uma das estratégias para desconstruir a alimentação nociva pautada pela publicidade. “Palestras, matérias na imprensa, mesas redondas, cartazes. É preciso ir em todas as direções para trabalhar a conscientização das pessoas sobre a necessidade de se alimentar adequadamente”, conclui.

 

O resgate das receitas das avós

Além da palestra ministrada por Bufano, outra atividade que terá destaque será a apresentação e partilha de pratos organizados por 42 grupos de mulheres, cautelados pelos escritórios da Emater de Garibaldi, Boa Vista do Sul e Coronel Pilar. A confraternização, que já é marca registrada nos encontros intermunicipais, desta vez valoriza a importância de resgatar as receitas de nossos antepassados, de uma época em que os produtos industrializados eram bem menos comuns, e a base alimentarem era mais natural e sadia. As receitas devem ser compiladas e publicadas em um livro, com o apoio do Sicredi.

Segundo a extensionista social da Emater Franciele Sonaglio, que auxiliou na compilação e pesquisa da receitas, junto com os grupos da cidade, a iniciativa é só mais uma resposta ao apelo popular por uma alimentação mais saudável e natural, como acontecia em outros tempos. “A soma da vida corrida e o descaso dado ao alimento saudável mostrou que há muitas doenças se potencializando. Agora, as pessoas começaram a relacionar a alimentação e a saúde, e o assunto, felizmente, está outra vez em pauta. Prova disso são as empresas que têm se dedicado a atender a demanda por alimentos integrais, orgânicos, entre outros”, cita.

 

Agricultura Familiar

Em contraponto com a indústria de alimentos ultraprocessados e à agricultura de grande escala, os produtores familiares são responsáveis por 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, segundo levantamento da Food and Agriculture Organization (FAO). Em Garibaldi, são mais de 800 famílias que se dedicam ao ramo.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Garibaldi, Luciano Rebellato, a produção em pequena escala, voltada para o consumo interno e externo são fatores que qualificam os produtos familiares. “A agricultura familiar é produzida para consumo da família e o excedente é vendido. O que é passado para os mercados é o que é consumido no dia a dia na mesa do agricultor. Logo o cuidado é muito maior”, destaca.

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