Editorial

Redução na violência: trabalho ostensivo e políticas de prevenção

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

Não há dúvida de que o ano passado foi marcado pela explosão dos índices de violência em todo o Brasil. Já no primeiro dia, um motim no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, tendo como pano de fundo a guerra entre facções do Sudeste e do Norte, deixou 56 mortos e expôs de forma contundente as mazelas de um sistema carcerário depauperado. Viriam outros dois grandes massacres em janeiro, repetindo as mesmas cenas de horror: um na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima, com 31 mortos, e outro na Penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, onde 26 presos morreram. O ano estava apenas começando.

Em Bento Gonçalves, 2018 foi igualmente turbulento. Números alarmantes de assassinatos, furtos e outros crimes de menor gravidade açoitavam a comunidade e faziam a sensação de segurança contrastar com as qualidades da região.

De lá pra cá, muito foi noticiado. A vinda de reforços da capital, operações táticas para redução dos crimes contra a vida e contenção do tráfico de drogas, além dos estágios de novos policiais da Brigada Militar na região tiveram impacto significativo na comunidade, e como consequência, conseguiram reduzir consideravelmente os índices nestes primeiros meses de 2019.

Apesar do otimismo nos números, não é hora de ilusões. O crime organizado ainda prolifera por Bento Gonçalves

Apesar do otimismo nos números, não é hora de ilusões. O crime organizado ainda prolifera por nossa cidade, e ramificações de grupos da capital ainda tentam comandar o tráfico de drogas pelos bairros periféricos. Mesma situação que acomete outras cidades da região, como Carlos Barbosa e Garibaldi.

O combate à violência em Bento não pode parar apenas na esfera ostensiva da Brigada Militar. O tráfico se enraíza apenas onde a demanda é mantida. O ciclo de violência terminará, apenas, quando tratarmos os usuários com o mesmo afinco e investimento que despendemos para o combate ao traficante.

Enfrentar a violência é um dos desafios para os governos em 2019. Mas, para combatê-la, é preciso mais que boas intenções. O uso da inteligência e de ações integradas é um grande aliado, todos sabem disso. Mas as políticas de prevenção e tratamento precisam estar em consonância com isso. A virada do semestre pode ser um bom momento para focar mais nestas questões.

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