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Reciclagem: economia poderia chegar a R$ 2,4 milhões

Fábio Becker Loppe
Escrito por Fábio Becker Loppe

Se a taxa de reaproveitamento de resíduos fosse total, esse seria o valor economizado anualmente por Bento

Aproximadamente R$ 2,4 milhões. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Sílvio Bertolini Pasin, essa seria a economia que Administração Pública poderia ter anualmente se a taxa de separação e reaproveitamento do lixo reciclável fosse de 100%, afinal seriam menores os gastos com transporte até o aterro sanitário localizado no município de Minas do Leão, a mais de 170 km da Capital do Vinho.

Conforme Pasin, o aumento populacional da cidade é proporcional ao da produção de lixo e aos gastos com sua destinação. Atualmente são recolhidas 115 toneladas de lixo ao dia na cidade, uma média de 1 kg por pessoa. O custo total da Prefeitura com todo o processo de recolhimento é por volta de R$ 11 milhões anuais. “Essa é a totalidade de gastos com a toda a cadeia. Aí está somado a questão de transporte, recolhimento, depósito de lixo em aterros sanitários, a questão do lixo separado para ir para as recicladoras, entre outros”, assinala.

Taxa de reciclagem da cidade é de 24%

Cerca de 30 toneladas de lixo reciclável são encaminhadas por dia para recicladoras da cidade (Foto: Fábio Becker)

Embora Pasin opine que o número poderia ser maior, a taxa de Bento Gonçalves é seis vezes maior que à média do estado e oito vezes superior à média nacional. Com o atual nível de material reciclado, conforme informações da secretaria de Desenvolvimento Econômico, a prefeitura tem um desconto de cerca de R$ 50 mil mensais de gastos com o lixo. O secretário assinala, no entanto, que essa economia não é único fator relevante nessa conta. “Isso é ótimo também para os recicladores que aumentam seus rendimentos de acordo com o volume de resíduos reciclados. Sem contar na economia ambiental. Não tem como mensurar o quanto se está deixando de desmatar, afinal produzimos menos e reaproveitamos mais produtos já existentes”, pontua.

Claudiomiro Dias, secretário municipal do Meio Ambiente, comemora a taxa de reciclagem e aponta que ela é uma amostra de que os trabalhos de conscientização promovidos pela Administração Pública têm surtido efeito. “Na contramão da realidade brasileira, Bento Gonçalves segue progredindo em questões ambientais. O resultado deve-se à política pública de incentivo à reciclagem e de educação ambiental implantados. Em 2013, apenas 9% do material coletado era reciclado”, destaca.

Apesar dos números reforçarem um aumento de conscientização por parte dos bento-gonçalvenses, de acordo com Everton Fraga, gerente da RN Freitas, empresa responsável pela coleta de lixo da cidade, nem tudo é positivo. Um grande problema seria o descuido das pessoas quanto aos horários da coleta, o que causaria o desperdício de uma grande quantidade de material que poderia ser destinado para reciclagem, mas que acaba se mesclando com o orgânico, impossibilitando o reaproveitamento. “Colocam o seletivo no dia de coleta do orgânico e vice-versa. Assim, muitas vezes, o orgânico acaba misturado com o que vai para a a reciclagem”, lamenta. Segundo Fraga, o fato é recorrente nos bairros Planalto, Cidade Alta, Centro e Humaitá.

 

Usina de resíduos sólidos urbanos

Conforme Dias, um avanço importante para o aproveitamento do lixo será a instalação da Usina de resíduos sólidos em Bento. “Mais que transformar resíduos em energia alternativa, a Usina aumentará o percentual de reciclagem, pois a separação do lixo feita pelas recicladoras contará com auxílio de uma esteira com sensores que identificarão o que é plástico, papel, metal, vidro e lixo orgânico”, explica.

Em 2017, após publicação do edital com chamamento público para construção da usina de tratamento, a Administração Pública chegou a cogitar a hipótese da Usina estar em funcionamento até dezembro de 2018, o que não aconteceu.

Segundo a secretaria do Meio Ambiente, atualmente o edital está em análise no Tribunal de Contas, após será liberado para concorrência. O município cederá o terreno para que os empreendedores construam e administrem o local pelo prazo de até 35 anos. Depois desse período, o patrimônio será incorporado aos bens da prefeitura. As empresas interessadas na execução do projeto terão 45 dias para apresentar suas propostas e o prazo para conclusão da obra deverá ser de um ano.

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Fábio Becker Loppe

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1 Comentário

  • Bom realizar reportagens sobre este assunto. Na minha opinião deveria ser com mais frequência e com iniciativas mais diretas envolvendo todos os setores responsáveis pela coleta, divulgando amplamente os dias e horários, fazendo levantamento e divulgando os locais e ruas onde os moradores não estão agindo corretamente em relação a depositar os lixos sem responsabilidae. Devem divulgar o que os cidadãos estão fazendo errado, pois os bairros citados, teoricamente seriam de moradores/proprietários tidos como esclarecidos, inadmissível que não atentem para as normas que devem ser seguidas no descarte do lixo.

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