Andressa Borges

Receita de Bolo

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

Não há nada mais triste do que a falta de inspiração para quem gosta de escrever. Aliás, há sim. Quando se forma mil pensamentos mas todos são diferentes e não se mesclam entre si. Abrir o word e escrever estas palavras às 2 da manhã de um domingo é saber que entrego reciprocidade, sentimento e realidade.

Acredito que saber o que penso não deve ser uma vontade pulsante da quarta de manhã de cada um de vocês, correr para abrir o jornal ou acessar www.jornalsemanario.com.br (contato para merchan inbox) e ler esta coluna. Mas acredito que, por mais difícil que seja, o que você está lendo aqui é e sempre será tudo o que penso. Se você me encontrar pessoalmente, vai me ouvir repetindo essas palavras, como alguém que decora uma frase de efeito e se apodera dela porque acha bonita.

Não abrimos mais mão de nada por alguma coisa ou um bem maior. Desistir virou sinônimo de felicidade, de ‘se livrar’. Se livrar do que exatamente? De ter um futuro brilhante, ou de descobrir o amor da sua vida? Não que eu ache que devemos persistir em tudo, porque muitas vezes nossa vontade não coincide com o que nos serve.

Mas está faltando algum tempero, minha gente. Persistência é assistir a 25 episódios de uma série para achar ela interessante. A gente desiste fácil, insiste da forma errada, se decepciona.
Falta abrir a roda de amigos, falta puxar um assunto com um desconhecido (crianças, não façam isso). Falta vontade para buscar conhecimento, falta contato humano com humildade, falta conversas com sinceridade, paciência, resiliência. Falta vivermos com um propósito mais valioso do que todas as notas de cem possam pagar.

Abrir um negócio só para ganhar dinheiro? A menos que você ame, entenda o que faz e tenha a conduta de fazer o melhor possível, considere o seu futuro negócio já falido.
Pensando em todas as possibilidades, é difícil imaginar quando devo persistir ou desistir. Einstein já dizia que poderíamos tentar 99 vezes e só obter sucesso na centésima. Posso imaginar que isso sirva para tudo na vida? Não.

Se a vida tivesse um manual, ou se todas as crônicas motivacionais e engraçadas formassem um manual, não seria muito mais fácil? Ninguém sofreria mais por amor e todos seria empreendedores de sucesso. Sem saber quem está certo ou errado e sem o manual da vida, concluo que a regra é clara: não há regras. Não existe uma fórmula que se encaixe em todas as situações financeiras, outra que se encaixe em todas as situações amorosas e assim por diante.

Não tem idade certa para começar a faculdade, não tem manual de quando casar ou quando começar um negócio próprio. Somos uma mistura de vários ingredientes: relações felizes, perdas, ganhos, experiência profissional, amigos, família, decepções. Essa mistura define o que podemos ser de agora em diante.

Não sou a pessoa mais radical, muito pelo contrário. Mas quem sabe pequenas mudanças, fazer o contrário do que sempre foi feito, começando por algo pequeno, nos dê um resultado diferente. Esse resultado nos dá ânimo para dar passos maiores em busca de nossos sonhos.

Tenho que persistir mais em algumas coisas e desistir de outras. Ser mais gentil, mais sociável (morar sozinho deixa a gente meio Mogli). Me interessar mais por quem se interessa e se essa mistura de ingredientes enjoar, faço outra e tento novamente, sem deixar queimar o bolo, dessa vez.

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