Andressa Borges

Quem somos

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

Conhecer-se é uma das coisas mais difíceis que temos que fazer na vida. É tão difícil que confesso que ainda não fiz por completo, mas não quero morrer antes disso.

Não se conhecer é não saber quem é seu oposto ou seu parecido. Não saber o que combina com você ou qual seu estilo. Claro que agimos involuntariamente e as pessoas te reconhecem por uma cor ou uma peça de roupa. Mas a gente se dá conta disso? Muitas vezes quando alguém diz que tal coisa é a minha cara não sei como reagir, porque eu não sabia que aquilo era a minha cara. Como é a minha cara? As pessoas não sabem dizer, mas eu deveria. E às vezes aquilo nem é a sua cara, mas provavelmente você fez por merecer.

Eu deveria descobrir qual ritmo musical é o meu preferido por mais que seja eclética. Ser eclético não é um problema, o problema é não saber as coisas mais importantes sobre si mesmo. É não ter prioridades, como comprar uma bolsa, duas botas, cinco perfumes e um tratamento de depilação a laser quando estou mendigando R$100 para comprar um rádio para o carro. Mas tudo bem, dos males o menor, não é?

Se conhecer requer momentos de solidão, de estudo, leitura, aprendizado. Podemos aprender em uma noite de sábado chuvosa tomando uma taça de vinho, assistindo uma série, lendo um livro, fazendo aquele curso que eu tanto queria. Mas nem sei que curso quero fazer. Porque estou sem foco, totalmente desnorteada, num looping ridículo de querer ser alguém sem se quer saber que alguém é esse. Quando estamos assim qualquer coisa nos basta, nos preenche, aquele velho ditado “encher linguiça”. Linguiça é feita de restos. Nos contentamos com pouco, nos agarramos à ilusões de que podemos ser felizes com aquilo. Inventamos mil histórias, acreditamos naquela história, ficamos tristes com o que não acontece e às vezes a história nem saiu do prólogo. Não da só para deixar rolar não querida? Nãaaao. Temos que antecipar as coisas. Antecipando as coisas atraímos os resultados conforme nossa energia. “Ah, acho que vai ser igual a última vez, não vou nem colocar esperança”. Nem é questão de esperança, não precisa entoar um mantra positivo 77 vezes ao acordar. Positividade é muito mais do que palavras. É atitude. Quando tiramos o tempo para nos conhecer entendemos o que nos incomoda, o que nos deixa atraídos, o que serve e o que não serve para nós sem pensar na plateia.

Fazemos tantas coisas pelos outros e não podemos fazer um pouco mais por nós?

Sobre o autor

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1 Comentário

  • Excelente questionamento Andressa Borges, sobre: “Quem Somos”, o qual todo mundo deveria fazer, pois é um alerta da consciência na busca do autoconhecimento, de quem realmente somos… Não meros marionetes conduzidos por um sistema deteriorado como o quê estamos vivendo! Parabéns!

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