Regional

Possíveis concessões das rodovias da região devem ficar para 2020

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Em encontro com lideranças políticas e empresariais em Garibaldi, secretários estaduais explicaram plano de concessão de rodovias da região à iniciativa privada; representante do governo garantiu operação de recuperação asfáltica na região

Durante pouco mais de duas horas de explanação e solicitações de soluções para as estradas da região, prefeitos, vereadores, secretários municipais e lideranças empresariais da Serra Gaúcha saíram do Centro da Indústria e Comércio de Garibaldi (CIC) esperançosos. Tudo, graças ao que os secretários do governador Eduardo Leite apresentaram durante a reunião de trabalho. Com a impossibilidade financeira para aplicação de recursos que visem duplicar e recuperar a malha rodoviária da microrregião da Serra Gaúcha, a tendência é de que as rodovias ERS-122, RSC-453, VRS 813 e ERS-446 sejam inseridas em um pacote de concessões à iniciativa privada. No entanto, a expectativa de que o discurso seja colocado na prática, deve ser resolvido apenas no ano que vem.

Conforme o secretário extraordinário de Parcerias do Rio Grande do Sul, Bruno Vanuzzi, até o momento, apenas duas rodovias já estão aptas às concessões. São a RSC-287, em Santa Maria e a ERS-324, em Passo Fundo, que juntas, poderão arrecadar R$ 3,3 bilhões, caso sejam entregues à iniciativa privada. De acordo com Vanuzzi, quatro projetos integram o primeiro pacote de concessões: além das duas estradas, a Estação Rodoviária de Porto Alegre, que prevê investimentos de R$ 76 milhões e o Parque Zoológico de Sapucaia do Sul, com projetos de modernização que alcançam a cifra de R$ 59 milhões estão prontos para a criação do edital. “A previsão é de que a licitação seja realizada em setembro”, espera Vanuzzi.

Alinhados em seus discursos, os secretários enfatizaram a necessidade da iniciativa privada entrar no modal das rodovias para que os investimentos necessários sejam possíveis de serem realizados. “Nós, como governo, precisamos dialogar com o setor privado. É dali que muitas das soluções poderão sair. Não é mais possível o Estado fazer tudo”, garante o secretário de Governança e Gestão Estratégica do Estado, Claudio Gastal.

No entanto, o que era esperado por muitos dos presentes, era uma solução imediata para os trechos mais problemáticos da região. Porém, os secretários não deram nenhuma garantia de que editais para licitar os trechos poderiam ser publicados em 2019. Conforme o secretário dos Transportes, Juvir Costella, a ERS-122, RSC-453, ERS-431, VRS-813 e a ERS-446 poderão estar inclusas no próximo lote de concessões de rodovias. Todas elas estarão em estudo técnico de viabilidade e debate com a sociedade para ver a possibilidade de inseri-las nos editais. “A meta é conceder à iniciativa privada para que haja manutenção constante”, explica.

Questionado pela deputada estadual Fran Somensi (PRB) sobre o tempo que levaria para realização dos estudos e lançamento dos editais, Vanuzzi prevê que apenas em setembro desse ano, os trabalhos e levantamentos técnicos começarão a ser realizados e que a expectativa é de que durem cerca de 10 a 12 meses.”Setembro do ano que vem é que as licitações poderão ser iniciadas nas rodovias”, disse.

Durante o encontro, o presidente da Famurs e prefeito de Garibaldi, Antônio Cettolin, anunciou que os estudos de viabilidade para o trevo do bairro Tamandaré já foram iniciados e que em breve, audiências públicas vão ser realizadas para debater e apresentar o projeto para a comunidade. De acordo com Cettolin, a Serra Gaúcha deve ter condições para transportar seus produto. “O que nós queremos com as nossas rodovias? Farroupilha, Garibaldi, Carlos Barbosa tapando buracos. Nós entendemos a situação que o estado enfrenta hoje. Mas nós precisamos fazer algo. O encontro de hoje serve para tirarmos daqui algumas posições. A região começou se articular. Esse é o primeiro pontapé”, garante.

Para o prefeito de Bento Gonçalves e presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior Nordeste (Amesne), Guilherme Pasin, a reunião serviu para apontar soluções no sentido de superar os entraves que são de obrigação do governo estadual, mas que na maioria das vezes são resolvidos pelos municípios. “Juntos nós podemos estruturar uma solução alternativa, seja de uma ampliação ou criação de um novo parque para a iniciativa privada, a fim de buscar a infraestrutura necessária para o escoamento da nossa produção. Estamos dispostos a construir algo em prol da nossa região. Temos que responder a nossa comunidade que não temos muitas alternativas”, observa. Pasin disse que é urgente a busca pelas concessões das rodovias, mas ponderou e pediu cautela na elaboração do modelo que será escolhido. Ele lembrou da situação no passado, quando a ERS-122 foi entregue à iniciativa provada. “O modelo de concessão nós teremos que buscar. Ele não pode ser abusivo como vimos no passado e nem leviano. Precisamos um contrato moderno, que num curto período de tempo comece a colocar em prática duplicações, terceiras pistas, viadutos, entre outros”, explica. Pasin finalizou seu discurso, pedindo um olhar especial para a ERS-431, que em pouco mais de 20 dias vitimou dois motoristas. “Nós precisamos de sinalizadores, redutores de velocidade na 431. Essa rodovia está se transformando num caos para os nossos moradores”, desabafa.

O vice-prefeito de Farroupilha, Pedro Pedroso pediu celeridade no início dos estudos para que a sociedade possa discutir sobre o problema. “Nós queremos uma solução. Queremos discutir. Nós somos a favor de que a gente busque uma ação coletiva e que seja realmente efetiva e rápida”, revela.

Empresários apoiaram o trabalho, mas fizeram duras críticas

Após as explanações dos secretários estaduais, o espaço foi aberto aos participantes. Na maioria dos discursos, críticas à ausência de gestão de governos passados e elogios ao trabalho que foi iniciado no governo Leite.

O presidente da Associação das Entidades Representativas da Classe Empresarial da Serra Gaúcha – CICS Serra, Edson Vinicius Morello, afirmou que o setor privado está apreensivo com a situação. “Há um certo descrédito com o Governo. A Serra Gaúcha é elogiada por todos, mas muitas vezes, esquecida. A situação das nossas estradas hoje, não é mais a questão de danos materiais. É questão de vida”, enfatiza. Morello disse ainda que ficou apreensivo com a fala de Costella, quando o secretário elogiou os prefeitos de Garibaldi, Carlos Barbosa e Farroupilha pela iniciativa da operação tapa-buracos da semana passada. “Ter que exaltar os prefeitos pela atitude, nos deixa muito apreensivo, porque isso não é obrigação dos municípios. Nós precisamos de soluções definitivas para isso. Nós estamos apoiando as concessões. Não existe mais um estado que tenha progresso, que fique tapando buracos em estrada. É uma pena que a gente esteja assim”, garante.

Morello questionou ainda se no período em que o estudo e o projeto de concessões estiveram ainda tramitando, as rodovias terão a manutenção necessária. “Nós queremos crescer, ajudar o governo a crescer. Queremos um auxílio até a efetivação dessas concessões. Com 86 quilômetros, nós resolvemos os problemas citados”, disse.

O presidente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), Elton Paulo Gialdi criticou duramente o descaso dos governos com a situação das rodovias na Serra Gaúcha. Gialdi afirmou que os gestores foram relapsos ao não enxergar os problemas que já estavam ocorrendo. “Se um encontro como o de hoje, fosse realizado há 10 anos, quantas vidas poderiam ter sido salvas, quantas rodovias poderiam ser duplicadas. Nós recebemos pedradas todos os dias, porque não questionamos os representantes políticos sobre essas situações. Nós passamos por omissos, por não questionarmos tanto, nem os prefeitos e tão pouco o governo do Estado”, afirma.

Gialdi disse ainda que é preciso pulso firme e colocar as ações em prática. “Não queremos mais um governo de discursos e palavras ao vento e daqui 10 anos estarmos novamente numa sala, debatendo, porque as rodovias não foram duplicadas. A sociedade está cansada de aguardar. O governo não tem o dinamismo do setor privado. Estamos esperançosos, mas precisamos agilidade, rapidez. Não dá para admitir um estudo que leve dois ou três anos para ser realizado. A situação merece urgência”, afirma.

Para o presidente do CIC de Farroupilha, Daniel Bampi, o empresariado ficou entusiasmado com o que foi apresentado pelos secretários. No entanto, cobrou celeridade nas ações. “Precisamos sair do entusiasmo e vermos as coisas acontecerem. Ou começamos a pensar nosso estado como gente grande ou não sei onde iremos parar”, garante. Bampi disse que a criação de praças de pedágio são necessárias para que as obras tenham aporte financeiro e saiam do papel. E também cobrou que o governador não pense em trabalhar para buscar a reeleição e sim, para garantir que as demandas sejam realizadas. “Se o governador Eduardo Leite tiver que perder a próxima eleição para fazer o que precisa ser feito, tem que fazer. Não se preocupem com a próxima eleição e vamos fazer o que tem que ser feito, para pelo menos deixarmos um legado para quem está vindo”, enfatiza.

Governo deve anunciar liberação de recursos para remediar situação nas rodovias estaduais

Indagado sobre as soluções dos trechos da Serra Gaúcha, o secretário Costella, disse que nesta semana, o governador Eduardo Leite fará a divulgação de investimentos nas rodovias gaúchas, entre elas, as da região da Serra. “O Estado ficou quatro décadas trabalhando para si e o povo ficou esquecido. O Estado não tem que ficar cuidando de praça de pedágio. Ele precisa se preocupar com saúde, educação, segurança”, afirma. Segundo o secretário, a expectativa é de que serviços de tapa-buracos e recuperação da malha asfáltica sejam realizados em todas as rodovias estaduais que necessitarem de obras urgentes.

Sobre o autor

Ranieri Moriggi

Ranieri Moriggi

geral3@jornalsemanario.com.br

Deixe um comentário