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Pesquisa aponta que metade dos brasileiros apoia a prisão de mulheres que abortam

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Uma pesquisa realizada em parceria entre o Instituto Patrícia Galvão e o Instituto Locomotiva apontou que 62% dos brasileiros não acham que deveria caber à mulher a decisão sobre interromper a gravidez. Os números foram divulgados na semana em que a Câmara dos Deputados deve concluir a votação da PEC (Proposta de Emenda Parlamentar) que, na prática, pode proibir totalmente o aborto no Brasil. Apenas 26% dos entrevistados apoiam a liberdade de escolha da mulher.

A pesquisa foi realizada em domicílios de 12 regiões metropolitanas do Brasil. No total,  foram ouvidas 1,6 mil pessoas com mais de 16 anos. Outro ponto que chama a atenção é a tendência popular de criminalizar o aborto. Cinco em cada dez participantes, que representariam metade da população, concordaram com a ideia de que uma mulher que interrompe a gravidez intencionalmente deve ir para a cadeia. Por outro lado, 38% são contra essa medida punitiva. E 12% não opinaram sobre o assunto.

No Brasil, o aborto é autorizado por lei em caso de gravidez causada por estupro, risco de morte para a gestante ou quando o feto é anencéfalo. Em geral a população apoia a interrupção da gravidez nessas hipóteses. Segundo a pesquisa, 67% dos brasileiros são total ou parcialmente a favor do aborto em caso de estupro. E 61% apoiam a interrupção em caso de risco de morte para a mulher. Além disso, se houver diagnóstico de doença grave ou incurável do feto, metade dos brasileiros concorda com o aborto.

Em caso de gravidez não planejada, porém, 16% dos participantes são total ou parcialmente a favor do aborto, se a mulher assim decidir, mas 75% são contra. Na hipótese de a família não ter condições de criar o bebê, 67% defendem proibir o aborto, e 25% apoiam a possibilidade do procedimento. Meninas de até 14 anos dispostas a interromper a gravidez têm apoio de 37% e rejeição de 53% dos participantes. Enquanto 13% dos entrevistados veem o aborto como “assunto de polícia”, 77% classificaram o aborto como uma questão de saúde pública.

Apesar da proibição, o levantamento destacou que 45% dos brasileiros acima de 16 anos conhecem ao menos uma mulher que realizou um aborto. Quanto maior a escolaridade do entrevistado, maior a tendência de vê-lo favorável à escolha da mulher. Se descobrissem que uma amiga havia acabado de interromper a gravidez, 47% relataram que nada fariam — mas 7% ressaltaram que chamariam a polícia.

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