Economia

Panorama Socioeconômico: dados da economia de Bento são apresentados

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Estudo revela sinais da retomada do crescimento em Bento; expectativa é que números continuem melhorando em 2018

O Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), realizou na noite de segunda-feira, 26, o lançamento da 47ª edição da Revista Panorama Socioeconômico, com dados, referentes ao ano de 2017. O periódico anual retrata a economia do município, sua evolução e representatividade nos setores da indústria, comércio e serviços, realizando comparações com o desempenho estadual e nacional. Os dados foram colhidos por pesquisadores da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e mostram que a cidade está retomando, aos poucos, a economia.

Os números de 2017, comparados aos de 2016, apontam para aumento do faturamento (2,5%), criação de empregos (504 vagas) e acréscimo nas exportações (17,2%). De acordo com o panorama, apesar de a indústria ser o segmento que mais fatura (60,2%), foram o comércio e os serviços os responsáveis pelo crescimento da economia no ano passado. Segundo os números, enquanto a indústria manteve praticamente o mesmo desempenho do ano anterior (-0,4%), os outros segmentos cresceram 5,5% e 9,4%, respectivamente. O total faturado chegou a R$ 8,5 bilhões – R$ 206 milhões a mais do que em 2016 –, com a indústria sendo responsável pelo aporte de R$ 5,1 bi.

Mesmo que os moveleiros venham tendo queda em sua participação dentro da indústria, ainda é o setor com maior valor adicionado fiscal (VAF), com 35,4%, seguido pelos setores metalmecânico e material elétrico (18,6%), vinícola (17,2%) e de alimentos (13,6%), que respondem por 85% do total. Todos eles tiveram pequenas quedas, enquanto os setores de embalagens e plásticos e de borrachas e pneumáticos experimentaram um incremento de participação, pulando de 4,1% para 5,9% no primeiro caso e de 3,6% para 4,4% no segundo.

Conforme a professora da UCS Cíntia Paese Giacomello, os dados de 2017 não podem ser considerados ótimos, mas nota-se, uma tímida melhora. “O crescimento do município não foi o esperado, mas já está melhor do que os números apresentados em 2015 e 2016. Se acompanharmos a curva de crescimento, percebe-se que já estamos nos recuperando”, explica. Segundo Cíntia, os números parciais de 2018 já indicam uma recuperação da economia. “Não chegamos aos patamares de 2014, mas estamos recuperando um tempo perdido nesses últimos quatro anos no faturamento das empresas”, afirma.

Comércio

Conforme a professora da UCS Cíntia Paese Giacomello, os dados de 2017 não podem ser considerados ótimos, mas nota-se, uma tímida melhora. Foto: Exata Comunicação

O estudo mostra ainda que o comércio teve as maiores representatividades na economia, nos ramos de alimentos e autosserviço (supermercados), com quase 25%, e matérias-primas e insumos, com 15%. Nos serviços, com base na arrecadação de ISSQN, a maior participação das atividades são as associadas à saúde e estética e aos serviços industriais, o que inclui a subcontratação, que respondem por 10,8% e 10,7%, respectivamente.

Arrecadação de Impostos

A arrecadação de impostos federais em Bento Gonçalves apresentou uma queda de 2,58%, caindo de R$ 961,7 milhões em 2016 para R$ 936,9 milhões. Porém, houve acréscimo de 7% na arrecadação dos tributos estaduais, passando de R$ 331,4 milhões para R$ 354,6 milhões. “Tal aumento ocorreu em função do principal tributo, o ICMS, que teve um acréscimo de 9,3%”, observa uma das responsáveis pelo estudo, a professora da UCS Cíntia Paese Giacomello. Quanto às receitas municipais, também houve acréscimo, na ordem de 6,09%, indo de R$ 337,6 milhões para R$ 351,8 milhões. Embora houve crescimento de 11% nas despesas, o superávit foi de R$ 30 milhões.

Mão de obra

Ao todo, Bento Gonçalves tinha 43.389 trabalhadores espalhados em 10.067 estabelecimentos em 31 de dezembro de 2017. Quase 40%, ou 17,3 mil, estão alocados no setor de serviços, e 38,1%, ou 16,5 mil, estão empregados na indústria. Quanto às atividades econômicas, as principais empregadoras são as indústrias de móveis (5.962) e o comércio varejista (5.071).  Entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017, foram gerados 504 postos, um crescimento de 1,2% na quantidade de empregos. “É um aumento importante, principalmente se comparado com o resultado obtido no período anterior, que teve redução de 3,6% entre 2015 e 2016”, observa Cíntia.

De maneira geral, 81,2% das empresas do município são de pequeno porte, com até nove funcionários. Se somadas empresas com até 19 funcionários, essa margem cresce para 91,6%. Do total dos empregados, 21% trabalham em empresas de grande porte – com mais de 500 funcionários. No outro extremo, considerando empresas com até nove funcionários, elas são responsáveis por 21,2% dos empregos.

A maioria dos trabalhadores, 52,2%, é formada por homens. As mulheres estão mais presentes nos setores de serviços e de comércio, respectivamente com 59,5% e 54,2%. Quanto às faixas etárias, a que apresenta o maior contingente de empregos é a de 30 a 39 anos, com mais de 31%. Os empregados com até 39 anos correspondem a 63,5% da quantidade de trabalhadores.

Balança comercial

Além do número de vagas criadas em 2017, outro dado contribui para o crescimento econômico do município: o saldo positivo da balança comercial – ou seja, Bento está exportando mais do que importando. No ano passado, o município registrou o maior valor desde 2008, atingindo um saldo de US$ 42,9 milhões.

O crescimento nas exportações, na ordem de 17,2% – de US$ 69,2 milhões para US$ 81,1 milhões –, fez o município subir três degraus entre as cidades que mais exportam no Estado, abandonando a 29ª posição e atingindo o 26º lugar. Ao todo, são 91 empresas exportadoras, sendo 37 moveleiras, oito metalúrgicas e seis vinícolas – as demais são de diferentes setores. Uruguai, Colômbia, Japão, Argentina, Paraguai, Peru, Chile, Bolívia, Estados Unidos e Equador formam os 10 países que mais compram de Bento Gonçalves, representando 74,1% das exportações.

Já as importações, realizadas por 93 empresas de Bento, totalizaram US$ 38,3 milhões em 2017, 28,5% a mais do que em 2016. As principais compras foram para fontes de matéria-prima (53%) e para investimentos produtivos (34,4%).

Outros dados

– O polo moveleiro de Bento Gonçalves representa 23,2% do faturamento do município (RS 1,76 bilhão)

– O PIB per capita é de R$ 46,4 mil (2015)

– Os sucos de uva representam 58% das vendas das vinícolas no mercado interno

– A rede de ensino da cidade tem 96 estabelecimentos que empregam 3.217 pessoas

– Bento Gonçalves possui 10,2 mil estabelecimentos (PJs), ou seja, uma empresa para cada 11,2 habitantes

– Somadas, as poupanças dos bento-gonçalvenses alcançam R$ 1,33 bilhão (2016)

 

 

 

Sobre o autor

Ranieri Moriggi

Ranieri Moriggi

geral3@jornalsemanario.com.br

Deixe um comentário