Geral

Outubro Rosa: “A mulher não deve ficar sem a mama”

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Encontro integrou a programação do Outubro Rosa e apresentou novidades no combate à doença . Foto: Ranieri Moriggi

Fatores como o diagnóstico cada vez mais precoce e o surgimento de novas técnicas e experimentos inovadores, tem possibilitado o aumento expressivo dos índices de cura do câncer, em especial o de mama. Além disso, os novos tratamentos diminuem os procedimentos mais agressivos e mutiladores. É o que afirma o mastologista, Dr. José Luiz Pedrini, durante encontro técnico realizado na noite de segunda-feira, 30 de outubro, no auditório do Centro da Indústria e Comércio de Bento Gonçalves (CIC-BG).

A palestra, promovida pela Liga de Combate ao Câncer de Bento Gonçalves, encerrou as atividades alusivas ao movimento Outubro Rosa e contou com a presença do secretário municipal de Saúde, Diogo Segabinazzi Siqueira, voluntárias e comunidade em geral. Conforme Siqueira, apesar de toda a crise política e econômica que afeta diversas áreas do país, inclusive a da saúde e pesquisa, ainda há situações em que o trabalho é muito bem realizado pelos profissionais. “Encontramos em diversos hospitais, pesquisas fantásticas sendo executadas. Nos municípios há muita gente trabalhando, independente de governo, que buscam avanços significativos, que nos garantem energia para melhorarmos diariamente a qualidade de vida das pessoas”, afirma.

Em seu pronunciamento, Siqueira destaca a importância do trabalho realizado pela Liga durante o Outubro Rosa e garante que o resultado de toda a equipe amplia a conscientização sobre o combate ao câncer de mama por meio da consulta regular a um médico especialista, a prática de estilos de vida saudáveis, além do autoconhecimento. “Eu tenho certeza que se dessas 50 mil pessoas alcançadas durante a campanha, salvarmos uma, já valeu a pena”, afirma.

Presidente da Liga-BG, garante que ações visam à informação, o incentivo ao diagnóstico precoce, bem como a ajuda e tratamento em qualquer situação. Foto: Ranieri Moriggi

Conforme a presidente da Liga, Maria Lúcia Severa, as ações de combate ao câncer de mama são contínuas, executadas durante todo o ano, visando à informação, o incentivo ao diagnóstico precoce, bem como a ajuda e tratamento em qualquer situação. “Estamos engajadas ao movimento mundial Outubro Rosa, onde intensificamos a conscientização das pessoas, quanto a importância do autocuidado. Nosso trabalho é desmistificar o medo, através de informação”, enfatiza. “Acreditamos que é possível avançar na luta contra o câncer de mama por meio da informação, a conscientização da importância do diagnóstico precoce. A medicina evoluiu muito e oferece diversos tratamentos com menores sequelas”, garante.

Durante a palestra, o mastologista José Luiz Pedrini apresentou os avanços na detecção, procedimentos cirúrgicos e no tratamento do câncer de mama. Conforme Pedrini, com as novas descobertas científicas, os profissionais de saúde passam a ser um “alfaiate”, durante o tratamento. “Hoje, os médicos desenham o que vão realizar no paciente. É como se fosse criar uma roupa personalizada, ideal para quem está com a doença”, explica. Pedrini garantiu que hoje em dia, os procedimentos mais radicais, como a mastectomia, devem curar, mas, também, garantir a autoestima da mulher. Ele aponta leis que garantem a colocação de próteses mamárias pela rede de saúde. Conforme Pedrini, nenhuma paciente precisa sentir-se mutilada ou doente para tratar o seu câncer. “Ela pode ser tratada com dignidade e com o retorno da sua autoestima”, resslata. Ele garante que isso não interfere negativamente no tratamento, “pelo contrário, a reação é positiva, porque ela vai sair da sala de cirurgia sem mutilações e isso ajuda bastante, principalmente na questão psicológica”, afirma.

Redução de quimioterapias

Pedrini apresentou os avanços na detecção, procedimentos cirúrgicos e no tratamento do câncer de mama. Foto: Ranieri Moriggi

Questionado sobre os avanços nos tratamentos, Pedrini ressalta que a aplicação de medicamentos quimioterápicos deverá ser reduzida nos próximos anos. Ele garante que apenas 10% dos pacientes deverão continuar realizando os procedimentos com as drogas. “A quimioterapia é um medicamento que atinge todo o organismo. Ele passa pelas células ruins, mas atinge muito as sadias, deixando sequelas futuras, como problemas cardíacos, renais, entre outros. Com os tratamentos modernos, não há necessidade de atingir todas as células. Nós precisamos procurar terapias-alvo, dirigidas ao tumor. Desenhar para cada paciente só o que ele precisa, deixando de utilizar o que ele não necessita. Acredito que em menos de dez anos, a quimioterapia será usada em apenas 10% das mulheres com câncer de mama”, garante.

Entender a estrutura dos tumores

Para Pedrini, o futuro do tratamento do câncer é promissor, devido ao avanço das pesquisas, dirigidas no sentido de entender o mecanismo de modificação que doença passa. “Constantemente, os tumores vão se defendendo, sofrendo modificações, no momento em que as medicações passam a destruí-lo. Acreditamos que, num futuro breve, a gente consiga armas químicas, que façam com que o organismo continue reconhecendo o tumor como um corpo estranho e que ele não consiga se defender”, afirma. Pedrini diz que a medicina ainda não conseguiu entender o mecanismo inteligente, que propicia o crescimento dos tumores em sua totalidade. “Essa engenharia genética da doença, nós ainda não entendemos. Estamos um pouco longe de compreender completamente essa problemática”, pontua. Segundo o mastologista, a prevenção continua sendo a melhor maneira de prevenir o surgimento e, consequentemente, o agravo da doença.

Sobre o autor

Ranieri Moriggi

Ranieri Moriggi

geral3@jornalsemanario.com.br

Deixe um comentário