Editorial

Os números do Ideb

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

Criado em 2005, o Ideb serve para monitorar o desempenho das secretarias estaduais e municipais de Educação e verificar se os municípios, Estados e União estão cumprindo as metas para cada ciclo escolar. Em 2017, a meta foi cumprida apenas nos anos iniciais do ensino fundamental, etapa que vai do 1º ao 5º ano. A etapa alcançou 5,8 (em uma escala que vai de 0 a 10), quando a meta estipulada era de 5,5. No ensino médio, etapa mais crítica, o índice avançou 0,1 ponto, após ficar estagnado por três divulgações seguidas, chegando a 3,8. A meta para 2017 era 4,7. Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, a meta foi descumprida pela primeira vez em 2013 e não atingiu mais o esperado. Em 2017, com Ideb 4,7, o país não alcançou os 5 pontos esperados.

As péssimas notas fizeram soar mais um sinal de alerta, mostrando que a educação continua muito abaixo dos padrões necessários a um a economia competitiva e capaz de ocupar mais espaços no comércio mundial. A qualidade da educação básica estagnou – e, mais grave, em patamares muito baixos. Os anos finais do ensino fundamental e do ensino médio encontram-se numa situação crítica, sem transmitir informações mínimas para justificar a diplomação dos alunos.

Os resultados medíocres contrariam as expectativas das autoridades, que imaginavam que as pontuações de 2017 seriam melhores do que as de 2016. “Imaginávamos que teríamos uma onda de melhoria que passaria dos anos iniciais e acabaria chegando ao ensino médio. O impacto não foi o esperado. Há a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre isso”, reconheceu o ministro da Educação. Ao justificar o fracasso da política educacional, ele atribuiu a culpa, entre outros fatores, à falta de formação superior dos docentes dos anos finais do ensino fundamental e médio e ao descompasso do currículo deste último ciclo com relação ao mercado de trabalho.

Os pedagogos reconhecem que o ensino médio é o maior gargalo da educação brasileira, mas atribuem as péssimas notas do Ideb à falta de articulação entre União, Estados e municípios.

O fracasso da política educacional, que há mais de uma década é marcada por prioridades equivocadas e orientada por modismos pedagógicos e interesses eleiçoeiros, nega às novas gerações a formação escolar de que necessitam para se inserirem num mercado de trabalho cada vez mais exigente. Também dificultam sua emancipação social e condenam jovens e adolescentes, por falta de escolas de qualidade, a um futuro de dificuldades. Fica evidente agora por que a administração tentou adiar a divulgação do Ideb de 2017: para não prejudicar a campanha de presidente da República para o candidato do governo.

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