Editorial

Os cinco do Municipal, e todos os outros

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

Cinco jovens morreram na noite de sábado, 8, no bairro municipal. Esta chacina, que já nasce grande, com o título da maior já registrada na Serra Gaúcha, está longe de impactar apenas os alvos e suas respectivas famílias. A violência é um dos eternos problemas da teoria social e da prática política e relacional da humanidade. Não se conhece nenhuma sociedade onde a violência não tenha estado presente. Pelo contrário, a dialética do desenvolvimento social traz à tona os problemas mais vitais e angustiantes do ser humano.

Diante de todas essas manifestações da violência pode-se inferir que o fenômeno social da violência causa impactos imensuráveis na vida dos indivíduos, trazendo um caos para toda a sociedade. Fato este, perceptível nos centros urbanos, que têm sido palcos de constantes cenas de violência, das quais a maioria da população já participou como atores-vítimas e/ou atores-espectadores. Realidade esta que acarreta uma postura de incômoda desconfiança, medo e insegurança nas pessoas.

Nota-se que o medo e a insegurança têm superado qualquer expectativa de paz

Normas ou regras de convívio social parecem que se perderam ao longo do tempo. O respeito, a educação, a tranquilidade e o bem-estar social, hoje são usados com resistência por uma boa parte da população, seja de classe média ou baixa. Infelizmente, se nota que o medo e a insegurança têm superado qualquer expectativa de paz. As cenas de violência são cada vez mais prováveis de acontecer na vida de qualquer um que seja pobre ou rico, branco ou negro, jovem ou idoso, enfim, não há distinção ou seleção de onde, quando e como será. A triste verdade é que a sociedade vive constantemente vulnerável e insegura.

E neste panorama, é imprescindível discutir como o cerceamento da violência afeta crianças e jovens nas periferias de Bento Gonçalves. Neurologista da infância e adolescência, Marco Antônio Arruda publicou um estudo onde cita avaliações feitas em crianças de adolescentes antes e depois de presenciarem ou sofrerem algum tipo de violência. Estes estudos comprovaram a diminuição do telômero, estrutura ligada à longevidade, após episódios traumáticos.

Por mais que precisemos estancar a sangria da guerra de facções nos bairros pobres da cidade, é imperioso que também pensemos no futuro e oportunizemos desde já a devida atenção às outras vítimas da brutalidade. As que estão em pleno desenvolvimento.

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