Editorial

O mundo contra o HIV

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

A data de hoje marca um dos pontos mais importantes no calendário internacional. O Dia Mundial de Combate à Aids tem por função primordial alertar toda a sociedade sobre essa doença, que segundo a Organização Mundial da Saúde é uma das epidemias que mais cresce no mundo. Embora as formas de transmissão do vírus HIV que causam a Aids sejam conhecidas, a maneira mais eficaz no combate à doença é efetivamente a prevenção.

Porém, além do alerta, a data também endossa o outro lado do tema. É importante mostrar para a população que não se contrai Aids com um simples aperto de mão ou abraço em um paciente. Uma pessoa com o vírus pode relacionar-se e trabalhar normalmente. Além disso, deve-se mostrar que, hoje, a Aids não é uma sentença de morte e que é possível, sim, viver bem com a doença, e os meios para isso, como o exame rápido, estão em plena evolução.

Se observarmos pelo cenário de Bento Gonçalves, por exemplo, cerca de 600 pessoas receberam tratamento atualmente, vindas de diversas cidades. Além disso, ao analisar os números, fica nítido um aumento considerável nos casos diagnosticados com HIV, ainda na fase viral, frente aos casos mais avançados, com Aids. O fato realça que, embora ainda existam lapsos de prevenção, a identificação está sendo realizada de forma antecipada, o que aumenta a possibilidade de uma vida normal aos que têm com o vírus. Fruto disso, Bento caiu da 45ª para a 55ª posição nas cidades com maior incidência de casos no Rio Grande do Sul.

A Aids também se apresenta como um fenômeno social complexo, compreendendo em sua problemática mais fatores além do biológico

Porém, na contramão do panorama, os dados também trazem um alerta preocupante. Segundo um levantamento da Vigilância Epidemiológica do Município, o número de adolescentes diagnosticados com o vírus aumentou 236% na década, enquanto a incidência reduziu na maioria das demais faixas etárias, o que desperta a atenção aos mais jovens.

Atualmente, com o emprego em conjunto de medicamentos antivirais, incluindo os novos, é possível negativar a carga infectante de maneira radical. Há também técnicas para fazer o reservatório de células que carrega o HIV no seu genoma ser estimulado a multiplicar-se, soltando-o, passando a ser acessível aos remédios. Tais células podem ser mortas, de modo que ainda postulamos a possibilidade de algum dia se atingir a cura da infecção recorrendo apenas a medicamentos, de maneira provavelmente sequencial e, insistimos, por longo prazo. Não vai ser barato, com certeza; isso nem existe ainda, estamos fazendo futurologia, mas achamos que é provável em futuro não tão remoto.

Vacinas contra o vírus HIV também estão sendo desenvolvidas. Uma única mostrou eficiência, mas inadequada para preconização. Todavia, é um caminho e, quem sabe, num porvir mais remoto, haja vacina realmente virtuosa, talvez a única solução que vai permitir encerrar a epidemia. O uso de anticorpos capazes de neutralizar os infectantes igualmente parece promissor, se bem que mais uma vez não pareça algo para benefício em massa. Podemos imaginar meios baseados em conhecimentos de biologia molecular para emprego na HIV-virose. O que se conhece hoje é que há reservatórios do vírus, em células linfoides, onde ele está incorporado ao DNA e silencioso. Nosso prognóstico é que a aids será cada vez mais rara.

Mas a aids também se apresenta como um fenômeno complexo, compreendendo em sua problemática mais fatores além do biológico. Estes, principalmente de ordem social, econômica e psicológica, são fundamentais para o entendimento da situação atual da doença e do porquê de ainda necessitarmos de um Dia Mundial de Luta Contra o HIV.

Sobre o autor

Cristiano Migon

Cristiano Migon

editoria@jornalsemanario.com.br

Deixe um comentário