Saúde

Novos estudos apontam benefícios da amamentação para as mães

Caroline Pandolfo
Escrito por Caroline Pandolfo

Uma grande pesquisa com mais de 26 mil mulheres confirmou uma associação feita há tempos pela ciência: mulheres que amamentam tem menos risco de desenvolver câncer de endométrio. O trabalho, coordenado pela Universidade de Brisbane, na Austrália, reuniu dados de cinco países e concluiu que, entre as mulheres que já tinham sido lactantes, houve um risco 11% menor de desenvolver tumores na parede do útero.

A proteção vem da queda na produção do estrogênio durante a amamentação. “O organismo diminui esse hormônio para garantir que o leite continue sendo produzido, e o câncer de endométrio, assim como o de mama, está ligado à exposição do organismo a essa substância”, explica Ricardo Luba, ginecologista do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo.
Com menos estrogênio em circulação, o corpo da mãe é poupado por um tempo de uma exposição que pode levar também ao câncer de mama – essa relação sim, já bem estabelecida pela ciência. “O fato de diminuir a produção ainda que por alguns meses ajuda a atrasar o surgimento ou mesmo reduzir a incidência dessas doenças”, completa o médico. No estudo australiano, o benefício foi mais significativo em mulheres que amamentaram por seis meses.

Mais peito, menos dor

Fora a proteção anti-tumores, uma pesquisa divulgada nesta semana revelou que a amamentação pode ainda atenuar as dores que as mães sentem depois da cesárea. O grupo de cientistas do Hospital Universitário Nuestra Señora de Valme, em Sevilha, na Espanha, chegou a essa conclusão depois de analisar 185 mulheres que fizeram cesariana.

Entre as que tinham amamentado por menos de dois meses, 25% apresentava dor na região da cirurgia por até quatro meses depois do parto. Já entre o grupo que amamentou por mais de dois meses, o índice de incômodo caiu para 8%.

O trabalho, publicado nesta semana pela Sociedade Europeia de Anestesiologia, é um dos poucos a explorar esse possível efeito analgésico. Por isso, ainda não dá para explicar o porquê do benefício. O que os autores investigam agora é se a ansiedade, que pode dar as caras durante os possíveis percalços do aleitamento, teria alguma influência no manejo e no surgimento da dor.

Sobre o autor

Caroline Pandolfo

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Um mundo de descobertas. Assim considero minha trajetória como colunista do Jornal Semanário, a qual tenho muito orgulho! Aqui compartilho um novo espaço do Caderno S, a Coluna Detalhes, onde destaco experiências únicas, pessoas especiais, trabalhos que fazem a diferença e muito mais.
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