Editorial

Nem este, nem aquele

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

Vivemos tempos complexos em nosso país, decorrentes da falta de conhecimento político e de consciência do povo brasileiro na hora de comparecer às urnas. Não raras vezes, sequer lembramos em quem votamos no último pleito. A amnésia eleitoral é decorrente da nossa falta de comprometimento com a sociedade. Preferimos não atrair a responsabilidade do maldado voto e das consequências que este traz para a sociedade. Mas cumprir promessas, atualmente, não é nossa pior mazela. A pior delas é a falta de respeito, de ética, e principalmente de dignidade, com que os nossos escolhidos têm trabalhado a administração do dinheiro público. O que estamos vivenciando hoje é a consequência do voto dado no passado sem qualquer critério e sem a análise do candidato.

De pouco adianta reclamar se tudo passa por cada um de nós, que exercemos a cidadania com o direito ao voto, instrumento fundamental da democracia e de transformação na sociedade. Porém, o que vemos nos dias de hoje é que as pessoas não estão dimensionando a importância do seu voto na construção social. O voto virou moeda de troca, não se pensando mais no coletivo e sim naquilo que imediatamente trará algum pequeno benefício, esquecendo-se o que virá depois, o futuro. O voto é conquista do povo e em prol dele é que deve ser usado, com critério e responsabilidade.

Temos que afastar o descaso e conhecer efetivamente a origem, formação e histórico dos candidatos

A escolha de um governante exige grande responsabilidade. Afinal, a eles caberá a tomada de decisões vitais sobre o futuro de todos. Apesar do desânimo causado por anos de problemas e corrupção, a política e as instituições ainda são os meios que nos permitem o acesso a direitos, liberdade e cidadania. Por isso, temos que afastar o descaso e efetivamente conhecer a origem e formação dos candidatos, suas pretensões, suas ideias, sua trajetória de vida. São requisitos fundamentais para escolher quem almeja um cargo público.

Nesta edição, o Semanário publica o perfil do eleitor de Bento Gonçalves. Um trabalho intenso, desenvolvido durante semanas, para entender as preferências dos munícipes quanto a candidatos e ideologias. Por aqui a situação é bem polarizada, mas a pesquisa mostra que o eleitor pode ser, às vezes, complexo e contraditório, mas está longe de ser alienado ou indiferente aos problemas nacionais. Sabe o que quer e, principalmente, sabe o que não quer.
Ainda que haja pessimismo e ressentimento, nota-se também um claro anseio pelo resgate da boa política. O eleitor não aceita, como posição definitiva, a condenação da política. Há, portanto, nas eleições de 2018 uma excelente oportunidade de alinhar a política com o interesse da população. É grande a responsabilidade do eleitor.

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