Editorial

Muito além da ‘moedinha’

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

A condição nômade foi de fundamental importância para o desenvolvimento da espécie humana, pois assim, as pessoas saiam em busca de novas terras, alimentos e melhorias de vida. Passados milhares de anos, o homem da caverna tornou esse estilo de vida ultrapassado. Mais ainda hoje no Brasil, muitos vivem vagando pelas ruas. São nômades obrigatórios; e não por que querem, pois são vítimas das fragilidades sociais e econômicas do estado.

Ora invisíveis, ora visíveis, conforme a disposição do observador. Pessoas vivendo na rua e da rua são uma realidade presente na maioria dos centros urbanos do nosso país. Fruto da forma como nos organizamos em sociedade – sobretudo em razão do nosso sistema econômico e da ruptura de laços familiares –, estas pessoas estão lá, ocupando os espaços públicos. Trata-se de uma realidade que precisa ser vista, sentida e pensada.

Pesquisas realizadas pelo IBGE, em 2016, mostraram que há mais de 1,8 milhões de moradores de rua no brasil. Só em Bento Gonçalves, esse número chega a 60, segundo fontes oficiais. Contudo, as entidades que prestam serviços assistenciais ressaltam que esse número pode ser bem maior na cidade. Esses moradores não podem ajudar o pregresso financeiro do país, primeiro porque não trabalham e não tem moradia fixa, e assim não contribuem para o aumento do produto interno bruto, e segundo porque muitos se quer têm documentos de identificação.

Por outro lado, os moradores de rua também sofrem problemas sociais, pois são privados do direito de opinar a respeito dos acontecimentos do país. Vivem como subumanos, sem alimentação adequada, comida, roupa e higiene. A todo o momento a mídia publica notícias que mostra mendigos sendo discriminados, maltratados e até mortos, e às vezes a mídia usa o sofrimento dessas pessoas para fazer comédia e aumentar seu lucro. De modo geral, essas pessoas são despercebidas aos olhos da comunidade.

A sociedade jamais pode aceitar o que está ocorrendo com os que estão na condição de miserabilidade nas grandes cidades. A indignação perante tais fatos é o reconhecimento do sentimento de humanidade que existe em cada um de nós.

Para solução do problema, é imprescindível o trabalho em parceria do Estado com as entidades da sociedade civil que se dispõem a equacionar essa realidade. Para tanto, faz-se necessária seleção dos melhores projetos em política pública, mediante edital e verba, capazes de reverter esse quadro de modo a reinserir essas pessoas na sociedade com dignidade.

 

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