Editorial

Momento de seriedade

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

Comissões parlamentares de inquérito são importantes ferramentas de defesa dos valores republicanos, da democracia e da justiça. Bem conduzidas, punem malfeitores e aprimoram os mecanismos do Estado. Exatamente por causa do poder que acumulou e sobretudo pela exposição que oferece a quem a compõe, a CPI passou a ser alvo de gente esperta que a usa mais para aparecer e menos para inquirir. O inverso também é bastante comum: sabendo-se do potencial poder de devastação, convenientemente se forma um grupo solidário, para dizer o mínimo, com vista grossa aos desmandos. Em ambas as situações descritas, porém, o risco de a CPI ser uma grande encenação é alto.

Caminho semelhante trilha a CPI do Plano Diretor, na Câmara Municipal: os vereadores não se mostraram muito entusiasmados em mexer num vespeiro, ainda mais em possíveis irregularidades da prefeitura. O complexo é garantir que o resultado não saia como uma encenação. O momento é riquíssimos para o eleitorado, agora em outubro, depositar seu voto e sua confiança em políticos menos deslumbrados e mais comprometidos com seu papel — que não é de ficção.

O risco de uma CPI ser encenação é alto

Entretanto, toda representação necessita de acompanhamento, e em se tratando do exercício da atividade legislativa e suas prerrogativas, outorgadas aos eleitos pelo povo, não é diferente. Logo, é preciso analisar de forma crítica se este exercício em CPI’S não ocorre apenas em função do mero interesse particular, em face do interesse coletivo, pois em muitos casos, o objetivo real que pode estar guiando uma investigação, conduzida pela CPI, é o empenho em destronar o opositor. Dessa forma, o cidadão precisa ficar atento ao exercício do mandato eletivo de seus representantes, principalmente no que tange às suas funções e prerrogativas, para que condutas adversas à moral não intentem contra o sistema democrático.

As investigações que serão abertas nesta semana e serão conduzidas em Bento Gonçalves têm força. Talvez, muito mais do que os próprios vereadores poderiam se dar conta. E como já mencionado neste mesmo espaço, toda comunidade quer o surgimento da verdade. Cabe aos vereadores, agora, levarem a sério as apurações, ter a transparência e a maturidade necessária para que os trabalhos resultem em uma possível denúncia crível e embasada ao Ministério Público.

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