Andressa Borges

Massa ‘encefalida’

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

Você chega em casa e liga a TV. Enquanto passa a sua série favorita, você olha alguns stories, que estão sempre atualizando e seu WhatsApp não para.
Na mesa do barzinho, os assuntos são rasos. Uma vez citavam o nome de algum filme e todos espremiam a memória para lembrar e envolver o assunto. Hoje, é só alguém balbuciar que lá vai alguém no ‘Google-salvador-da-pátria-amém’ e acaba com o assunto, para poder sorrateiramente olhar os stories e os grupos chatos de WhatsApp.

Não é para ficar surpreso com essas afirmações. Estes somos nós, os adultos. A gente já sabe que está errado. Mas nós somos de outra época, onde fazíamos curso de datilografia, de inglês, de computação (Windows, Word, Excel, Internet Explorer), de secretária. Éramos obrigados a fazer tabelas no Word e contas no Excel. Já os que possuem o Iphone 19, chegam no primeiro dia de emprego e perguntaram como faz para abrir o email. Detalhe: primeiro dia, não primeiro emprego.

Isso não é nenhuma crítica pessoal, é um desabafo triste de quem vê a tecnologia tomando o lugar do conhecimento, ao invés de torná-lo mais fácil. Aí me surge uma dúvida: é culpa da tecnologia ou nossa? Dos pais? Das escolhas? As crianças de hoje não fazem curso de computação, elas lêem algum texto ONLINE se precisar, mas elas têm Instagram, fazem stories, são quase ‘Digital Influencers’. Quem dera eu GANHAR o Monange e ainda receber para fazer vídeo mostrando que eu uso.

Essa tecnologia desenfreada dá o frágil sentimento de que estamos evoluindo.

E não estou sabendo lidar com isso. É clichê dizer que deve começar pelos pais? Que eles deveriam mostrar aos filhos como é a vida e como ela pode ser melhor, e dando aos filhos tudo o que eles pedem. Não ter um celular aos cinco anos de idade não é sinal de maus tratos. E não sou eu que digo isso, tem centenas de estudos comprovando a má influência dos meios digitais em crianças e jovens.

Ter horário para estudar, para brincar, assistir TV é visto como castigo. Como tirar a infância dos filhos. Eu não sou mãe e não estou aqui para julgar a forma como cada um cria. Estou aqui entender onde estamos e para onde vamos. E isso nem foi ideia minha. Professores em suas salas de aula já diziam há algum tempo atrás que os jovens de hoje não serão mais inteligentes pelo avanço da tecnologia, muito pelo contrário.

As redes sociais, a tecnologia, o entretenimento adulto são responsáveis por prometer garantir um futuro e uma profissão. Longe de mim só ganhar dinheiro. Gente, vocês já conversaram com quem só ganha dinheiro? Eu ia citar algumas “profissões”, mas seria linchada. Sou nova ainda. Mas, sem ser hipócrita, seria ótimo ganhar muito dinheiro fazendo pouco, mas se isso acontecesse, consequentemente teria também muito tempo livre, e leria mais livros, assistiria mais séries, faria outra faculdade e claro, iria fazer academia, ser fitness (fé no Pai que um dia vai), ir fazer a unha e o cabelo…

Porque acham que beleza e inteligência não combinam? Não sei, só uma dica, girls. Saí correndo de novo.

Não que você irá utilizar a fórmula de Báskara, ainda não chegamos nesse nível. Mas abrir o Word ainda é mais indispensável do que fazer um boomerang.

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