Paulo Vicente Caleffi

Ladrão e desonesto

Paulo Vicente Caleffi

O caso que vou relatar, verídico, comprova que além de ladrão, um bandido pode acumular a pecha de desonesto.
Uma empresa de transportes de Bento Gonçalves, há 30 anos passados, teve uma carga de alto valor roubada na cidade de Curitiba, ocorrência normal na atualidade do Brasil.

Na tentativa de recuperar a carga a empresa transportadora fez anúncio nos jornais do Paraná oferecendo uma ótima gratificação em dinheiro para quem desse informações suficientes para que a carga fosse recuperada e, para contatos, divulgou meu telefone.

Já no dia seguinte da oferta pública recebi um telefonema anônimo e pelas colocações o informante sabia da localização dos produtos. Perguntou sobre o valor da mercadoria, se estava confirmado o valor oferecido e como faria para receber a recompensa.

Dei-lhe um número de quatro dígitos como senha e caso a carga fosse recuperada ele deveria retornar a ligação para dizer onde seria entregue o valor da recompensa.

Acionamos as autoridades policiais e a carga estava no local informado, depositada num matagal localizado nas margens da estrada e coberta com lona. Tudo estava lá e perfeito.

Uma quadrilha foi presa graças as precisas informações

Fiquei feliz com a recuperação e desde então, apreensivo, aguardei o telefonema do informante que só ligou depois de dois anos.

– “Alo! Aqui é o informante do roubo da carga de Curitiba e tô ligando pra recebe a recompensa”.

Pedi a senha e estava correta. Detalhou o local para deixar o pacote na margem da rodovia. Fiquei curioso e perguntei porque dois anos de demora para receber a recompensa.

– “Ajudei a robá a carga e os colega me pagaram uma merreca. Pelo valor da muamba eles tavam é me passando pra trás.”

– “Mas poderia ter me ligado antes. Já passaram dois anos”.

– “É que também fiquei preso com os colega”.

Nem pedi recibo.

Sobre o autor

Paulo Vicente Caleffi

Paulo Vicente Caleffi

Empresário e cronista do Jornal Semanário.
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