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José Salibi Neto fala sobre a importância de “se manter curioso” para enfrentar as mudanças do cotidiano

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Renomado palestrante esteve no Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), abordando a necessidade das organizações entenderem os rumos para passar pela transformação digital; evento foi uma realização da Câmara de Dirigentes Lojistas de Bento (CDL-BG)

Em palestra realizada no Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC-BG), José Salibi Neto, co-fundador da HSM, empresa líder em educação executiva, na noite de quinta-feira, 6 de junho, falou para uma plateia de aproximadamente 400 pessoas sobre os impactos da revolução digital junto às empresas e como elas precisaram se adaptar para se transformar em plataformas digitais de negócios. Durante pouco mais de duas horas, Salibi Neto reforçou sua tese de que todo o líder precisa ser mais cientista, buscando conhecimentos e investindo em tecnologia, deixando de lado a ideia de que a competição ocorre somente com as empresas da sua cidade ou de seu segmento.

Segundo o palestrante, que conviveu com renomados nomes do empreendedorismo mundial, como Peter Drucker, Jim Collins, Tom Peters e tantos outros, além de líderes mundiais, como Bill Clinton e Tony Blair. Salibi Neto alertou o público sobre a complexidade da realidade e do mundo dos negócios que aumentam de maneira exponencial, graças à ascensão de conceitos voltados à nanotecnologia, inteligência artificial e neurociência. Para ele, essas ciências são fundamentais para a eficiência da gestão. “Os líderes, hoje, precisam entender quase tanto quanto os criadores, os cientistas”, diz. E lembra que quem ignorar tendências tão claras pode pagar um preço bem alto: “Nunca as empresas desapareceram ou ficaram irrelevantes tão rapidamente”, alerta.

De acordo com Salibi Neto, as empresas precisam mudar de acordo com a velocidade que a sociedade se altera. “Aquilo que era modelo de gestão há 50 anos, hoje não serve mais. Muitas vezes, aquilo que é moderno ontem, hoje não é”, ressalta. Ela exemplifica a questão de carreiras nas organizações. “A empresa não é mais garantia para ninguém. É preciso assumir a responsabilidade pela própria evolução, permanecer faminto por conhecimento, por se desenvolver. Temos que ser protagonistas”, provoca.

Assim, em meio a um ambiente em franca transformação, a habilidade profissional que ele considera mais relevante é uma velha conhecida: a curiosidade. “Na hora de contratar, seja para um cargo inicial ou para a cadeira de CEO, se a pessoa não tiver a habilidade de ser curiosa, ela terá um problema sério”, garante.

Durante o evento, realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bento Gonçalves e que contou com apoio do CIC-BG, Salibi Neto apresentou cases de empreendimentos que revolucionaram a tecnologia mundial e que em muitos casos não foram tratados como impossíveis de acontecer, como é o caso do iPhone, onde gigantes do ramo, como a Nokia, que em 2007 possuíam um bilhão de clientes e em quatro anos perderam mais de 132 bilhões de dólares de valor de mercado, devido o sucesso do aparelho da Apple. “Notamos, por exemplo, que a primeira plataforma digital de negócios nasceu com a invenção do iPod, com o iTunes. A partir disso, surgiu um novo modelo de negócio, o das empresas baseadas em plataformas. É desse conceito que nasce o iPhone e, a partir daí, o Airbnb, a Uber. Estes são os exemplos mais conhecidos, mas milhares de empresas partiram deste princípio”, explica.

Ele garante ainda que todas as indústrias foram atingidas por alguma inovação disruptiva nos últimos anos e afirma que nenhuma vai escapar disso e para conseguir superar esses desafios, a criatividade e as novas tecnologias deverão estar alinhadas ao novo pensamento do empreendimento. “As empresas tradicionais enfrentam muita dificuldade. Muitas ainda não se deram conta do que está acontecendo. Mas vejo um movimento muito grande dos mais jovens. Tem uma moçada muito faminta que percebe oportunidades gigantes justamente por causa da lentidão das empresas tradicionais. O setor bancário ficou parado décadas, estacionou na estratégia de cobrar um monte de taxas e entregar o mínimo. Só que o digital mudou tudo isso”, revela. E acrescenta. “Os nossos líderes tradicionais terão que mudar muito as atitudes em relação ao aprendizado, ir em busca de estudo, montar o próprio currículo. O conhecimento é cada vez mais veloz e as precisamos ser curadores e donos do próprio desenvolvimento”, pontua.

 

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