Assunta De Paris

Italianos no Rio Grande do Sul

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Escrito por Assunta De Paris

No século 19, a unificação italiana e a incorporação da península ao sistema capitalista não incluíram as camadas populares. Os camponeses foram expulsos da terra. O pequeno artesanato foi parcialmente destruído. A indústria mostrou-se incapaz de absorver a mão-de-obra disponível. Assim, os italianos pobres foram obrigados a buscar, em outros países, as condições de vida que sua pátria lhes negava. No total 24 milhões de habitantes partiram da Itália, entre 1869 e 1930, para diferentes regiões do mundo.

A maioria dos imigrantes chegados ao sul do Brasil partiram do Porto de Gênova. A travessia, que durava pouco mais de um mês, era feita em navios que eram transportados os escravos e eram sobrecarregados. As doenças eram frequentes e a mortalidade elevada.

Do Rio de Janeiro, após dias na casa dos imigrantes os imigrantes eram transportados em vapores para Porto Alegre, numa viagem de dez ou mais dias. Ao chegarem na capital eram alojados em um prédio precário ou dormiam nas ruas e praças próximas.

De Porto Alegre, seguiam em pequenas embarcações para Monte Negro, São Sebastião do Caí ou Rio Pardo.
Ao chegarem às colônias, os imigrantes eram alojados em barracões e, depois, enviados aos lotes rurais.

A imigração italiana para o Rio Grande do Sul era financiada pelas autoridades brasileiras. Os lotes e os eventuais subsídios governamentais, ferramentas, sementes, alimentos e outros: deveriam ser pagos no prazo de cinco a dez anos.

O movimento tinha como objetivo “importar mão-de-obra”. Obra europeia e vender as terras devolutas do Império, visando aumentar tanto a população como a produção agrícola.

O Rio Grande do Sul, de 1875 a 1914, recebeu 80 mil imigrantes, provenientes sobre tudo do Vêneto, da Lombardia e do Tirol, atraídos ao Novo Mundo pelo sonho da terra e do trabalho. Conde D’Eu (Garibaldi) Dona Isabel (Bento Gonçalves) e nova Palmira (Caxias), foram as três primeiras colônias italianas no Rio Grande do Sul. Em 1877, foi organizada uma quarta colônia, Silveira Martins, em terras próximas a Santa Maria, na Região central do Estado.

As colônias eram divididas em léguas, travessões e lotes. A légua era um quadrilátero cortado no sentido longitudinal, por caminhos estreitos e irregulares, de uns 6 a 13 km, abertos no meio da mata, por travessões ou linhas. A medição e a demarcação das linhas, travessões e dos lotes coloniais eram feitas por engenheiros chamados agrimensores.

Os imigrantes, ao chegarem ao seu lote, dedicavam-se à abertura de clareiras nas matas e construíam abrigos de pau-a-pique, cobertos de galhos de árvores. O pinhão, a caça e a colheita ajudavam os imigrantes nos primeiros tempos de sua chegada. Em poucos anos, a paisagem foi transformada. As grápias, os louros, os cedros, as cabriúvas, as canjeranas e as araucárias foram cedendo lugar ao trigo, centeio, linho e muitas parreiras.

A mesa do imigrante tornou-se menos pobre, a casa um pouco mais confortável.

Sobre o autor

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Historiadora e colunista do Jornal Semanário há 30 anos.
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