Andressa Borges

Intolerância

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

Essa é a era da tolerância zero, da falta de paciência, dos traumas passados. Usamos como desculpa ter vivenciado situações ruins, tratamos as pessoas conforme nosso trauma e ainda achamos que elas devem entender isso.
Se você não confia mais nas pessoas porque já teve problemas com isso, tudo bem, acontece. A situação passada lhe mostrou que não se deve confiar em qualquer pessoa, ou então que não devemos confiar tanto em alguém, ou ainda que devemos ter mais cautela para algumas coisas. Pois bem, aí está uma oportunidade de você aprender com isso.

Faça terapia, faça balonismo, faça alguma coisa para ser uma pessoa melhor. Entenda que não é justo uma nova pessoa achar que você não confia nela porque teoricamente você acha que agora todo o mundo é igual. Não é! Uma nova pessoa não deve pagar o preço de um trauma cometido por outra.

E isso vale para muitas outras situações. Mas aí você pode me questionar, que nem todos sabem que fazem isso, ou seja, nós mudamos depois do trauma, nos defendemos, nos preservamos mais e, tudo isso, subjetivamente.

Concordo plenamente! Porém, há muitos que sabem muito bem o que anda acontecendo (a gente tá ficando espertinho…). Sabem que estão tratando certa pessoa com diferença porque já foi traído, já foi passado para trás, já sofreu horrores e sabe o que mais? Eles acham isso bonito! Mas não to vendo aqui nenhum motivo em se orgulhar por ter tratado bem a pessoa errada e agora estar maltratando o resto da humanidade.

Não temos mais paciência para ouvir um amigo, não queremos saber o que se passa na vida dele, só estamos interessados na nossa, em resolver aquele probleminha, em pagar aquela conta. Não queremos mais relacionamentos sérios, já passamos por isso várias vezes e não queremos mais nos “incomodar”. É mais prático ligar para alguém de vez em quando para suprir as necessidades físicas. E melhor ainda porque podemos conhecer o tanto de gente que quisermos, sem estar preso a ninguém, sem dever explicações a ninguém. Perfeito, não é mesmo?

Ficou fácil fingir que se importa. Conhecemos pessoas novas, nos abrimos, conversamos sobre tudo, falamos sobre nossa vida, dizemos que temos muito em comum, olhamos nos olhos, somos gentis. Algumas vezes até acho que encontrei um alienígena, porque a pessoa some depois de 12 horas. Fico me perguntando: que mensagem tão importante esse “ser” de outro planeta veio me trazer e foi embora tão depressa? Ou poderia ser uma mensagem do além, com tanta tecnologia, não é.

O fato é que ficou muito, mas muito fácil fingir que se importa por uma noite, por um jantar, por um encontro. E sinceramente, não sei por que continuam fazendo isso, alguém pediu?
Ninguém tem mais paciência para primeiros encontros, para novas amizades, para ouvir em uma conversa. Pregamos tanto que deveríamos pensar mais em nós que ninguém mais pensa nos outros. Estou com medo da gente.

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