Adelgides Stefenon

Indústria Moveleira: um ciclo chegando ao fim?

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Escrito por Adelgides Stefenon

Desenvolvo há 15 anos trabalhos de consultoria em empresas na área de vendas e marketing tendo já trabalho em 5 países ( Brasil, Argentina, Estados Unidos, Itália e Alemanha ) e sempre busquei olhar e aconselhar as empresas para mais adiante, para frente pois entendo que falar do passado, como muitos fazem, é fácil. Acredito que olhar adiante de nosso tempo é função de todos. Muitos tentam, poucos conseguem.

Neste tempo todo, desenvolvi vários trabalhos para empresas do segmento moveleiro (foram mais de 100 projetos de consultoria nesta indústria ). Certa vez, cheguei a definir os estágios de desenvolvimento da indústria moveleira do Brasil em 5 eras. São elas:

Uma das principais ações estratégicas desenvolvidas por esta indústria foi a criação de lojas exclusivas com as quais diminuiu-se fortemente a dependência de grandes lojas de varejo para vender a produção, criaram-se pontos de venda “gerenciados” pelas fábricas e que, pela exclusividade, devem vender somente os produtos da marca da fábrica. Isto deu muito certo até hoje, principalmente para o polo moveleiro de Bento Gonçalves, líder desta estratégia no país. Eu mesmo escrevi em 1996 ( quando este segmento ainda quase nem existia ) que isto seria o futuro da indústria moveleira nacional. Isto fez com que várias empresas prosperassem até os dias de hoje.

Porém, nos últimos tempos, estas empresas do segmento de planejados vêm se defrontando com uma situação muito delicada. Muitas marcas estão tendo problemas com os lojistas que desaparecem do mercado da noite para o dia depois de terem cobrado o valor dos projetos dos clientes mas não repassaram o pedido para a fábrica. Com isto, os clientes não recebem os produtos e entram na justiça para reaver o dinheiro. Esta situação já foi motivo de reportagem no Fantástico, inclusive.

O que aconteceu? Será que este ciclo da prosperidade das fábricas com lojas exclusivas está chegando ao fim?

Escrevi neste espaço há algum tempo que a concorrência iria aumentar, que novas marcas surgiriam, que haveria um crescimento do setor até certo ponto, que haveria um posicionamento das próprias fábricas em segmentos de mercado, que o design e os serviços nesta área seriam muito importantes. Tudo isto aconteceu e, pela concorrência acirrada, muitas empresas começaram a abrir lojas sem muitas análises dos parceiros. Resultado: expansão da rede sem controle gerencial. Consequência: problemas com os clientes.

Estaria este ciclo de expansão chegando ao fim?

De certa forma sim. As empresas deste segmento terão que rever suas estratégias de crescimento, sua forma de gerenciamento da rede de lojas, bem como, seu foco de mercado.

Acredito que os grandes saltos de crescimento não vão mais ocorrer. O crescimento será muito maior optando-se pela diversificação de produtos e mercados do que pela concentração. As fábricas terão que investir em gerenciamento da rede de lojas para evitar os problemas atuais. Também, o foco de mercado terá que ser mais ampliado, saindo de somente o Brasil para o mundo. Do contrário, o segmento não crescerá. Para uma empresa crescer terá que tirar o mercado de um concorrente mas o mercado total não se expandirá como antigamente.

Esta é minha contribuição ao setor.

Pense nisso e sucesso.

Sobre o autor

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Adelgides Stefenon é economista, mestre em marketing, consultor nacional e internacional e professor universitário.
adelgides@stefenon.com.br
www.stefenon.com.br

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