Editorial

Inclusão é lei, não opção

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

A sociedade tem passado por muitas transformações, que também afetaram a indústria. A noção de uma organização apenas ligada a questões financeiras ficou para trás e deu lugar a ideias bem mais amplas. Agora, as empresas passam a ter um um papel político e social e a se preocupar com sustentabilidade, direitos do trabalhador e do consumidor, qualidade e saúde ligada aos seus produtos, por exemplo.

Ou seja: a empresa passa a ter uma responsabilidade social, um dever com a coletividade, e trabalhar a inclusão é uma maneira de cumprir esse dever. Integrar as pessoas com deficiência é possibilitar que esse grupo tenha acesso aos direitos que são garantidos pela Constituição.

Assim, a verdadeira razão de incluir pessoas com deficiência no time não é a obrigação ou uma suposta ação solidária, mas, sim, o cumprimento de uma responsabilidade, garantindo o respeito aos direitos de PCDs. Além disso, essa é uma ótima forma para a equipe aprender a lidar com as diferenças e trabalhar estigmas e preconceitos.

Mas é claro, essa não é uma tarefa fácil de ser realizada. No Brasil, 45,6 milhões de pessoas têm alguma deficiência, o que representa 23,9% da população. De acordo com dados de uma cartilha publicada pelo IBGE, entre as 44 milhões de pessoas em idade ativa que têm algum tipo de deficiência, 53% não estavam ocupadas, representando uma população de 23,7 milhões.

O prognóstico do FGTAS/Sine para os PCDs em busca de emprego não tem sido otimista em Bento Gonçalves

Por aqui não é diferente. Entidades e grupos de apoio têm militado pela causa há anos, mas de acordo com dados do FGTAS/Sine, o prognóstico para quem busca uma vaga pelas cotas não tem sido positivo. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) Nacional, Isocial e Catho realizada com 2.949 profissionais do setor apontou que 81% dos recrutadores contratam pessoas com deficiência “para cumprir a lei”. Apenas 4% declararam fazê-lo por “acreditar no potencial” e 12% o fazem “independente de cota”. Este, sem dúvida, é um dos principais problemas da inclusão desses profissionais no mercado de trabalho no país.
A pesquisa revelou ainda que 65% dos gestores possuem resistência em entrevistar e/ou contratar pessoas com deficiência. Além disso, 93% dos que responderam a análise afirmaram que gestores devem se informar mais para entrevistar e gerenciar este profissional, revelando que ainda existem muitas barreiras a serem derrubadas e muito trabalho a ser feito com os administradores.

A inclusão das pessoas com deficiência é fundamental para a organização, tanto pela responsabilidade social quanto pela aprendizagem da equipe e por respeito a esse público. Com a lei de cotas e a promoção de acessibilidade, as organizações podem facilitar a inserção de PCDs, mas é preciso que essa inclusão seja também social, com a igualdade de oportunidades e respeito às necessidades especiais dessas pessoas. Com essas medidas, todos saem ganhando.

A situação das PCDs ainda tem muito que ser debatida e analisada para melhorar, por esse motivo seria importante implantar um trabalho de conscientização nas escolas da mesma forma como é feito sobre o tema diferenças sexuais, por exemplo, pois o que percebesse na grande maioria dos casos é a falta de conhecimento sobre os PCDs. Através do ensino a formação do cidadão, a inclusão e aceitação passa a ser normalidade, e não exceção à regra.

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