Antônio Frizzo

Inacreditável

Antônio Frizzo
Escrito por Antônio Frizzo

INACREDITÁVEL
Vivemos num dos países de maior desigualdade social no mundo. Convivemos com algumas poucas “famíglias” que detém uma imensidão de aplicações na dívida pública brasileira. Pouquíssimas pessoas detém a riqueza e renda nacional. Na nossa história recente, o maior aumento na desigualdade se deu nas décadas de 1960 e 1970, em decorrência de uma política econômica que visava concentrar a renda nas classes mais ricas para incentivar o investimento e o consequente crescimento da produção. A ideia era crescer o bolo para depois reparti-lo. Para atingir tais objetivos, o governo militar reduziu os salários reais e reprimiu a organização dos trabalhadores. Não dá para acreditar que ainda haja pessoas que não saibam disso.

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA?
A concentração de renda e riqueza começou desde o descobrimento do Brasil. Pouquíssimas pessoas foram agraciadas com imensidões de áreas de terra, além de escravizar negros e índios para trabalhar por eles e fazê-los multiplicar seus patrimônios havidos gratuitamente. Os “senhores de engenho” e os “barões do café” eram os “reis dos escravos”. Com a abolição da escravatura, a imensa massa de negros foi deixada a própria sorte, sem qualquer tipo de assistência. Os negros libertos geraram as favelas e os trabalhadores rurais sem-terra. Como se constata, os riquinhos não abriram mão de suas riquezas e a distribuição de renda ficou ainda mais concentrada.

O BOLSA FAMÍLIA?
Agora, mais de uma centena de anos depois, eis que os governos constatam que é preciso criar melhores condições de sobrevivência aos que se encontram em situação de pobreza e extrema pobreza. O programa Bolsa Família é introduzido, possibilitando que milhões de pobres possam comer de vez em quando. O cadastramento das famílias que podem receber o benefício é feito PELAS PREFEITURAS, a quem cabe, também, o acompanhamento. Para receber, é preciso que a renda per capita das famílias se situe entre R$ 85,00 e R$ 195,00 mensais. O valor mensal recebido serve apenas para evitar que morram de fome e que, aliado à baixa renda familiar, possibilite até a habitação e vestuário.

E ABOMINAM ISSO?
Por mais que tente entender, não consigo. Leio e ouço pessoas abominando o benefício do Bolsa Família. Esse dinheiro é gasto nos armazéns, nos mercados, nas lojas e entra no círculo virtuoso da distribuição de renda. Essas pessoas não INVESTEM na bolsa de valores, em dólares e muito menos abrem contas na Suíça. Muitos daqueles que detonam o Bolsa Família calam-se, absurdamente, diante de SONEGAÇÃO de mais de 500 BILHÕES DE REAIS, impostos que pagamos e os sonegadores não recolhem aos cofres públicos. Calam-se, também, diante de excrescências como o auxílio-moradia a muitos apaniguados que possuem casa própria, em vários setores dos poderes públicos. E silenciam, inclusive, com os bilhões do “bolsa empresário” dado a quem não precisa. Que tempos vivemos, meu Deus!

QUEREM NOVOS PEDÁGIOS
Justamente no momento em que uma concessionária de rodovias é flagrada em falcatruas, eis que nossos mui leais e valorosos governos estadual e federal querem pedagiar várias rodovias, inclusive a recentemente construída Rodovia do Parque, a BR-448. Nós pagamos a milionária construção para, agora, entregá-la ao pedagiamento. Não bastam os BILHÕES DE REAIS que pagamos de IPVA, multas, impostos sobre a manutenção dos veículos. Onde essa gente enfia o dinheiro que pagamos? Houve um tempo, caros jovens, em que as rodovias eram construídas e mantidas pelos governos; houve um tempo em que se recebiam as placas com o valor incluso do IPVA; houve um tempo em que asfaltamentos, viadutos, túneis, tudo era custeado pelos nossos impostos. Nossos governantes perderam no tempo a vergonha na cara e nós, povo, a capacidade de indignação.

MAIS UM POLICIAL É MORTO
Sim, mais um e outros também serão abatidos por essa bandidagem que campeia leve, livre e solta por aí. Quando um policial mata um dessa escória, é chamado a responder pelo ato. E pensar que houve um tempo em que um policial – civil ou militar – era respeitado, temido por todos aqueles que não se mantinham dentro dos limites da lei. Já passou, há muito tempo, da hora de se mudar a legislação. Nossos policiais precisam ter todas as condições de armamento, viaturas e, principalmente, AUTORIDADE para decidir quando atirar em marginais. Muitos abusados ainda tripudiam nos policiais dizendo-lhes, quando presos, que “não vai dar nada”. Até quando, senhores parlamentares e governantes?

Últimas

Primeira
Eduardo Azeredo (PSDB), já condenado em 2ª instância, será ou não preso, afinal? O processo é de 2007 (onze anos, portanto), mas se originou em 1998. Há quem pense que o Aécio irá renunciar também, para os processos contra ele irem para Minas, na 1ª Instância;

Segunda
Em Canoas, marginais roubaram placa de bronze de uma praça pública. Em Bento um não foi roubada, mas retirada da Praça Dr. Galassi. Alguém sabe o paradeiro dela? É a Carta-Testamento de Vargas;

Terceira
Estamos nos aproximando das eleições. Será que este ano também teremos em Bento uma dúzia de candidatos que, obviamente, não obterão os votos necessários para eleger-se? E pensar que isso só acontece porque uma constituição fajuta permite número absurdo de partidos;

Quarta
Quem ouviu o ministro Gilmar Mendes nesta 5ª feira deve ter ficado de cabelo em pé. Foi estarrecedora a avaliação que fez do judiciário;

Quinta
Quando esse governo acabar de vender (será “venda”, mesmo?) TODAS as estatais gaúchas, como fará para pagar os salários dos servidores?

Sexta
Nesta quinta-feira a diretoria da EXPOBENTO divulgou as atrações programadas. A EXPOBENTO é feira de negócios e a programação paralela é simples acessório;

Sétima
Depois da divulgação do Balanço Geral do Inter há colorados preocupadíssimos. E com sobradas razões. Já o Grêmio cumpre tabela contra o Santos, amanhã. Que tempos, hein?

 

Sobre o autor

Antônio Frizzo

Antônio Frizzo

Economista e colunista do Jornal Semanário há 35 anos.
antoniofrizzo@italnet.com.br
www.jornalsemanario.com.br

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