Cultura

Variedades: impressões sobre a Noruega

Lucas Araldi
Escrito por Lucas Araldi

“Vi kost oss” significa algo como viver bons momentos em norueguês. Talvez não seja possível traduzir o termo ao pé da letra, devido às diferenças entre os idiomas de origem latina e nórdica. Mas essa continua sendo a expressão que melhor define minha experiência no sul do gélido país, que é berço da cultura viking e figura em primeiro na maioria dos índices de qualidade de vida.

Aquelas terras distantes, no norte da Europa, passam metade do ano cobertas de neve. O frio não diminui a beleza dos fiordes, dos lagos azuis, das montanhas e das casas coloridas com telhados inclinados. Ele também não é motivo para os noruegueses ficarem trancafiados em casa, já que estes gostam de estar em contato com a natureza e de manter as tradições ancestrais.

A educação e a igualdade social contrastam com a vida selvagem. Caçar, pescar e acampar é algo comum para o povo norueguês. Eles aprendem técnicas de sobrevivência e a não se esconder do rígido inverno ainda na escola primária. Inclusive, alguns mantêm o hábito de nadar no mar todas as manhãs, não importa que esteja 10 graus negativos.

As tradições bárbaras são mantidas, mas atravessar a rua não é um desafio. O respeito com o outro vai desde o ato de parar na faixa de segurança, até a valorização de todos os tipos de trabalho. Eles gostam de fazer as próprias tarefas.

De construir suas casas, de separar o lixo e de cuidar da sociedade que, conscientemente, é deles.
Tive a oportunidade de passar 10 dias viajando por esse país e entender o porquê é considerado o mais feliz do mundo. Passei por Oslo, Bergen, Kristiansand, Lista e Iveland. Do frio intenso, das montanhas e da praia com muito vento.

Mas também lamento que uma mineradora norueguesa esteja sendo acusada de instalar um duto clandestino, para lançar rejeitos nas nascentes do Rio Amazonas. Cuidam do que é deles, não do que é nosso. Uma pena, talvez seja só uma exceção. Espero que sim.

Apesar disso, a Noruega é o país em que um empresário ganha quase o mesmo salário de um garçom. Que o primeiro ministro é uma pessoa comum, sem todos os luxos e benefícios. Um país em que o “vi kost oss” é direito de todos. Eles têm muito a ensinar ao Brasil. Tem muito a ensinar ao mundo.

Sobre o autor

Lucas Araldi

Lucas Araldi

geral2@jornalsemanario.com.br

Deixe um comentário