Editorial

Importância do planejamento

Como resistir à tentação do consumo? Uma smart TV de última geração, um banho de loja, mais um sapato para a coleção, um carro novo, uma viagem para o exterior… São tantas as aspirações que o salário do mês não dá conta de suprir as despesas fixas, os gastos necessários e os custos extraordinários. Isso somado ao cenário de recessão prolongada que o país atravessa – e considerando ainda a alta taxa de desemprego –, resulta em índices elevados de inadimplência. Segundo dados da Serasa Experian, o Brasil registrou em maio 59,5 milhões de consumidores inadimplentes. No mês anterior, alcançou o recorde histórico: 60,7 milhões de consumidores com dívidas atrasadas.

Ao todo, as dívidas não quitadas somavam R$ 264 bilhões. Isso demonstra que a saúde financeira de grande parte dos consumidores está fragilizada e muitos deles envolvidos em verdadeiras bolas de neve movidas a altas taxas de juros. Em Bento Gonçalves, a inadimplência no comércio já ultrapassa os R$ 9 milhões. Contudo, na Capital do Vinho nem os cemitérios escapam dos maus pagadores. De acordo com a administração municipal, 2017 fechou com saldo negativo de R$ 130 mil no valor arrecadado pelas taxas de manutenção de carneiras.

Diante disso e do exercício diário de fazer render o salário para suprir todas as dívidas, a pergunta que não quer calar é: como manter a saúde financeira da conta corrente, suprindo as despesas fixas e ainda reservar uma renda para gastos extras?

“A inadimplência é um dos principais problemas econômicos da atualidade”

O primeiro passo é realizar um detalhamento das receitas e das despesas para se ter uma visão clara do que se ganha e onde se gasta o dinheiro. Após isso, deve-se realizar um levantamento completo das dívidas e juros com o objetivo de repactuar o saldo devedor em um único empréstimo a juros menores (notadamente, tentar substituir dívidas com juros elevados como cheque especial e rotativo de cartão de crédito por crédito pessoal). E, obviamente, deve-se atentar para que as dívidas caibam dentro do orçamento para que não haja necessidade de novas repactuações com nova incidência de juros – aumentando o custo total da dívida.

O segundo passo é programar o orçamento, como forma de manter o fluxo de caixa saudável. Para isso, sugerimos seguir a regra dos 50-15-35. Até 50% da renda líquida deve ser direcionada ao pagamento das despesas essenciais (moradia, saúde, alimentação, educação, transporte, etc.). No mínimo 15% da renda deve ser destinada a formação de uma reserva financeira, que pode ser uma poupança ou uma previdência, visando a manutenção do padrão de vida no futuro, aquela viagem de férias tão sonhada, ou mesmo para alguma despesa não planejada que venha a ocorrer.

Uma tabela para controle de despesas e manutenção do fluxo de caixa pode ser uma boa alternativa para você ter consciência do rumo que a sua vida financeira está seguindo. Assim terá claramente um panorama geral da condição financeira e disponibilidade de caixa para novos parcelamentos.

O controle do fluxo de caixa mensal é uma questão de hábito e desta forma é possível passar rapidamente do papel de devedor para o papel de poupador. Naturalmente, quanto menor o juro sobre uma determinada dívida, menor será o desembolso financeiro para quitá-la. Ao ser associado a uma cooperativa, existe ainda a garantia de um recurso extra para incrementar o orçamento, pois há a participação nos resultados (sobras). Esse recurso pode auxiliar na quitação ou antecipação de pagamento de eventuais dívidas/compromissos ou ainda aumentar a poupança (ou qualquer outra reserva) para necessidades futuras.

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Cristiano Migon

Cristiano Migon

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