Editorial

Haja pressão

A comunidade criticou, o Complan acatou, o Executivo demandou, e a Câmara de Vereadores retirou. Em uma sessão tumultuada, que trouxe a tona certo despeito por parte de alguns vereadores com as demandas comunitárias, foi aprovada a retirada de pauta da norma que rege a ocupação territorial de Bento pela próxima década. O Plano Diretor, que chegou à Casa com uma cara, sairia com outra, pois, caso aprovado, teria incorporado em seu texto original 50 emendas modificativas, entre leves correções textuais e pesadas mudanças estruturais, como a liberação de construções de edifícios no corredor gastronômico, não será votado neste ano.

Aí fica no entendimento de cada um sobre o que levou ao resultado. A pressão comunitária e da imprensa, o peso na consciência ou a tão conhecida palavra final do chefe do Executivo, que enviou ofício à Casa, solicitando a retirada de votação. Claro, como nem sempre a democracia agrada a todos os lados, houve algumas manifestações (beirando a ameaça) de parlamentares, inconsoláveis, acerca da reapresentação das mesmas emendas em fevereiro. Até aí, tudo bem, apresentar emendas é prerrogativa da vereança e ninguém pode ir contra isso. Entretanto há de se lembrar os verbetes que dizem por aí, onde errar uma vez é normal, contudo insistir no erro é loucura.

Bom, com o baixar dos ânimos e desinflar de egos feridos de edis, agora é hora dos “vencidos” reestruturarem o pensamento e levarem essa “rasteira” como aprendizado. Como um metrônomo a marcar o tempo, voltamos a ressaltar que não há mais espaço para pensamentos egoístas e votos por interesses. O Plano Diretor não comporta tal conduta e a comunidade brigará por seus direitos.

Agora, cabe novamente a árdua tarefa ao Complan de recolocar as demandas na mesa, tentar englobar todas as reivindicações e não destruir a cidade no percurso. Porém é importante lembrarmos que o Plano voltará para votação. As emendas provavelmente serão novamente apresentadas e, mesmo que vetadas pelo prefeito em sua posteridade, caberá ao Legislativo acatar ou não. É preocupante, mas o futuro de muitos bairros está nas mãos dos vereadores e, a exemplo do que foi visto nessa semana, não há muito que a comunidade possa fazer, além de tomar a iniciativa e pressionar.

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Cristiano Migon

Cristiano Migon

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