Editorial

Gigante Luiza

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

O câncer infantil não recebe tanta atenção quanto à doença entre adultos. Devido ao baixo registro de casos, muitas vezes a enfermidade é ignorada no exame médico — seus sintomas são confundidos com fraturas ou males comuns. Por isso, trata-se de uma das principais causas de morte entre crianças em países desenvolvimentos e no Brasil. Se o diagnóstico for precoce, as chances de cura são altas.

Poucas pessoas sabem, mas o câncer infantil é mais agressivo e invasivo se comparado a tumores que acometem os adultos. Na maioria dos casos, os sintomas são difíceis de serem reconhecidos e facilmente são confundidos com os de outras condições, o que provoca atraso no diagnóstico. Logo, não é incomum se fazer a detecção quando a doença já está disseminada.

A doença mais mortal do século nasce dentro de cada um de nós, a partir do mesmo mecanismo que desenvolveu a nossa espécie. Por décadas, a ciência buscou armas para expulsar o câncer. Mas agora estamos virando o jogo – o inimigo é o corpo em desequilíbrio. E a resposta para lidar com o câncer está dentro de você.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os tumores representam a primeira causa de morte por doença entre crianças e jovens de 1 a 19 anos. Só em 2018 estima-se que ocorrerão 12,6 mil novos casos no Brasil.

Só quem teve que colocar a fé à prova sebe como é difícil imaginar a manutenção da vida com câncer

O cenário pode soar desanimador, mas existe um lado positivo: pelo mesmo motivo que o câncer infantil é agressivo, as chances de cura também são altas. Nos últimos 20 anos, por exemplo, o diagnóstico da doença aumentou 13% em crianças menores de 14 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso ocorreu porque os pediatras passaram a considerar alguns sintomas como sinais de um possível câncer em seus pequenos pacientes.

O jornalismo, muitas vezes, é o porta-voz dos fiascos. Ajuda a dar a dimensão do quanto políticas públicas ineficientes podem trazer imenso sofrimento ao povo, monumentais prejuízos à nação e uma desesperança generalizada em relação ao futuro de uma cidade e, em menor escala, até de uma família. Mas, às vezes, precisamos deixar de lado o negativo e dar voz e vez ao que se destaca de melhor na sociedade. E dentro deste rol, o trabalho desenvolvido pela Liga de Combate ao Câncer tem sido imprescindível para o bem estar social e para a esperança de dias melhores.

Nunca é fácil receber a notícia. Não há como descrever com precisão o terror, o aperto no coração e o choro engasgado quando o diagnóstico é feito. Só quem teve que colocar a fé à prova sabe como se torna áspero imaginar a manutenção de uma vida após o surgimento de um câncer. Ainda mais quando o paciente tem apenas 10 anos de idade. Nessa edição você acompanha a história de Luiza e de seu sorriso encantador. Uma menina que é pequena em tamanho, mas gigante na capacidade de nos inspirar em busca do melhor no ser humano.

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