Editorial

Fila parada

Explorando a temática relacionada à convivência do homem com os animais, os métodos de manutenção e de controle populacional de cães e gatos, é que se poderá evoluir para aprimoramento da qualidade de vida no âmbito do controle de zoonoses, de agravos produzidos por animais e doenças específicas de animais de estimação. A diminuição da natalidade de cães e gatos é uma das maneiras de contribuir para o controle da população de animais.

Devido aos hábitos inadequados de manutenção, à procriação descontrolada e à deterioração da qualidade de vida ocorridas em certas comunidades humanas, o excessivo número de animais domésticos, sobretudo cães e gatos, passou a constituir um grave problema, tornando-os indesejados pelos agravos produzidos às pessoas, por aspectos estéticos ambientais ou pela presença de grupos de animais abandonados.

O problema da superpopulação de animais de estimação é mundial, estando relacionado, principalmente, às doenças zoonóticas. A diminuição do número de animais abandonados é de grande importância para promover o controle de zoonoses, como exemplo a raiva, além de evitar maus tratos a pets soltos nas ruas impedindo agressões a seres humanos e acidentes de trânsito. O crescimento indiscriminado da população de cães e gatos, com todas suas implicações sanitárias, sociais e humanitárias, é extremamente preocupante. A população animal cresce em progressão geométrica e, para cada criança que nasce, nascem, aproximadamente, 15 cães e 45 gatos. O aumento da população canina traz um efeito negativo quando não se oferece condição de sobrevivência aos filhotes, que futuramente irão gerar os refugos, passando a ser os animais abandonados.

Mas uma vez então que a população esteja esclarecida acerca da castração e suas implicações, faz-se necessário também o apoio governamental no sentido de proporcionar à população mais carente de recursos financeiros opções de castração gratuitas ou a baixo custo. Campanhas de esterilização são importantes, bem como o estímulo à adoção ao invés da compra de animais, principalmente os advindos de criações de fundo de quintal. Bento Gonçalves está parcialmente no caminho certo neste quesito. O trabalho desenvolvido por ONGs tem dado resultados expressivos e diversos animais deixaram as ruas e foram encaminhados à adoção. Porém, a outra via desta rodovia ainda deixa a desejar. No início do ano, a fila para castrações (pagas pelo município) era de cerca de 500 cães. Atualmente, a fila permanece com o mesmo número de pets aguardando pela intervenção. O que ocorre é que, como a demanda é alta e os recursos para investir não são tão significativos, juntamente com a disponibilidade de clinicas para realizar o procedimento, a fila acaba por perdurar. Contudo, não basta apenas esperar que com a parte do Executivo, o problema sane.

A solução para combater a superpopulação de animais de estimação existe e pode ser viabilizada na prática. Porém, o caminho é longo, pois envolve acima de tudo estratégias de educação e conscientização para a guarda responsável, além de práticas governamentais efetivas como prioridade para o controle populacional destes animais. Estas ações beneficiarão não somente os milhares de cães e gatos que vivem nas ruas, mas também trará benefícios à toda a população, em especial àqueles que lutam por uma vida mais digna e menos dolorosa para nossos animais.

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Cristiano Migon

Cristiano Migon

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