Andressa Borges

Férias das férias

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

1h/manhã. A Coca-cola com nuggets e cigarros não me deixam dormir. A gente está de férias e acha que por isso pode enfiar porcaria goela abaixo. Além de estar me intoxicando, andei pensando na vida. 2017 foi um ano de muito trabalho e aprendizado. Talvez eu tenha andado para trás em alguns sentidos, mas quem consegue manter todos os aspectos da sua vida 100% o tempo todo levanta a mão.
Sabia.

No meio da turbulência é difícil identificar os pontos positivos e os negativos, o que deve continuar e o que deve parar. Por isso a pausa é tão necessária. No último mês, minha pálpebra esquerda e meu esôfago pediram socorro. Minha mente gritava em silêncio e eu entrava em um pranto interno para terminar meus trabalhos. Dormi pouco, comi mal, respondia mensagens mentalmente.
A gente sempre quer mais férias, não é? Mas sabe que se eu continuasse em férias indeterminadas me tornaria uma hippie. Porque vivo bem sob pressão, gosto de movimento e acho bom que seja assim. A mente e o corpo trabalham e a gente é “obrigada” a seguir em frente. O resultado sempre é satisfatório.

Fiz muita e pouca coisa nas férias. Li sobre uma mulher que foi uma adolescente ladra, inconsequente, anarquista e que hoje é CEO de uma empresa de US$ 100 mi. Assisti a séries surreais, estive com meus pais em sua primeira viagem à praia e só para confirmar, eles são meus melhores amigos. Fui a um show e não vi a atração principal. Descobri que “parceria” não é “amigo” e só é parceria quando eles precisam de você. Descobri que consigo dormir sem parar por dias. Fui à praia e não gastei quase nada, ufa! Que feliz. Só fui ver umas ‘lojinha’:

“MEU DEUS QUE BRUSINHA BARATAS VOU LEVAR”.

Não tive grandes problemas com as ceias, porque descobri que minha compulsão alimentar está com os dias contados. Isso é bom. Muito bom.
Descobri que estalar os dedos faz as juntas crescerem mesmo. E dói. Bebi depois de vários meses de tratamento, mas não sei se foi tão bom assim.

1h20min/manhã. Meu bulldog ronca. Mas não estou “chutando” ele no canto da minha cama, estou ouvindo como se sentisse aquele sono bom de uma criança depois de um dia inteirinho no parque. Preciso ser menos ranzinza, uma coisa que havia deixado de ser, mas algumas pessoas imploram de joelhos para que eu continue. Preciso rir mais vezes, alguém poderia me mandar por email algumas histórias engraçadas, não é? Apesar de que, se eu olhar o Insta Stories, vai dar na mesma.

Passei uma gripe entre o Natal e o Ano Novo, pegar aquele ventinho à noite e o ‘bafo” de dia na praia…é ‘pacabá com os colono de Bento’. Vegetei bastante, mas logo percebi como minha mente é inquieta. Pena não conseguir canalizar todas as ideias que passam por aqui, ah se Chavier estivesse aqui e soubesse desenhar. Aliás, é um dos meus sonhos saber desenhar. A faculdade não aflorarou meus dedos grotescos de digitadora.

Não sei ser meio termo. Não sei fazer uma coisa de cada vez. Não consigo só simplesmente descansar. Ou durmo por dias sem tomar banho, ou faço um mix de coisas. Bom mesmo seria tirar férias em Cancun para descansar, voltar e poder descansar do descanso em Cancun.

1h36min/manhã. Vou escutar umas musiquinhas de ninar, tipo Huggin & Kissin, olhar o Pinterest em busca de um look que eu não tenho, jogar Candy Crush até acabar as cinco vidas e me matricular em um curso de desenho.

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diagramacao@jornalsemanario.com.br

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