Saúde

Febre Amarela: procura por vacina aumenta em Bento

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Com casos na região Sudeste do país, população vai à busca das doses; UBSs garantem imunização a quem precisar

A procura pela vacina da febre amarela aumentou em Bento Gonçalves desde o início do ano. Na Capital do Vinho, a secretaria de Saúde vacinou acima da média mensal. Mesmo não sendo considerada área de risco, o município garante que há estoque suficiente para a imunização de quem procurar. No entanto, a prioridade é a vacinação de pessoas que irão viajar para as regiões afetadas pela doença e para fora do Brasil. Ainda, de acordo com o setor responsável, não foram registrados casos de febre amarela no município.

Mesmo sem informações do problema no Rio Grande do Sul, a preocupação das pessoas pelos casos que são confirmados diariamente no país, fez a procura aumentar consideravelmente. Conforme o enfermeiro do setor de Imunizações da Secretaria de Saúde, Maichel Manfredini, as unidades de saúde que possuem salas de vacinas precisaram se organizar para realizar as aplicações. “Temos vacinas contra a Febre Amarela em todas as salas de vacinas ativas do município. Cada unidade de saúde possui um dia específico da semana para abertura do frasco, que após aberto, possui apenas seis horas de validade”, afirma.

Segundo Manfredini, como a região não está em área de risco, e Bento Gonçalves não é recomendada pelo Ministério da Saúde para vacinar os moradores sem indicação, quando as UBS são procuradas, a imunização é realizada com a dose total, que tem validade para a vida toda. Já em regiões como no estado de São Paulo, onde casos da doença foram confirmados, inclusive com mortes, devido ao grande volume de pessoas, as vacinas estão sendo aplicadas em doses fracionadas, que valem pelo período de oito anos. “A procura está grande em todo município, mas cabe lembrar que não estamos em campanha de vacinação contra a doença e é aconselhável que os interessados em imunizar-se, que entrem em contato com as UBS para ver da disponibilidade de doses e horários de aplicação”, salienta.

Conforme informações da SMS, na Capital do Vinho, mais da metade da população é vacinada contra a doença e há estoque suficiente, caso haja necessidade, para continuar a imunização de pessoas. Segundo Manfredini, a prioridade de vacinação está voltada para viajantes que estão se deslocando para áreas de risco, como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além de países da Europa, Estados Unidos ou outras localidades fora da América do Sul que precisam estar imunizados antes de embarcar.

Entenda a doença

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença ainda é restrita a áreas de mata. A transmissão é feita por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que vivem em locais de floresta ou em zonas rurais.

ÁREA SILVESTRE
Haemagogus janthinomys – Presente em todo o Brasil, principalmente no Norte e Nordeste.
Haemagogus leucocelaenus – Presente principalmente no Sul e no Sudeste.
Tempo de vida do mosquito adulto – de 20 a 40 dias.
Habitat – Matas e florestas, principalmente na copa das árvores, mas a espécie Haemagogus leucocelaenus fica também em áreas baixas, próximas do solo.

Sabathes chloropterus, Sabethes Cyaneus e Sabethes Glaucodaemon
Tempo de vida do mosquito adulto – de 20 a 40 dias.
Habitat – Matas e florestas, principalmente na copa das árvores.
Hábitos – As espécies dos dois gêneros têm hábitos diurnos e preferem picar no período mais quente do dia, entre as 10h e às 15h, quando geralmente os animais estão descansando ou menos ativos.

ÁREA URBANA
Em ambiente urbano, o Aedes aegypti, mosquito que também transmite dengue, chikungunya e zika, tem a capacidade de transmitir febre amarela, mas não existem registros de circulação do vírus em cidades desde 1942.

Dias e locais de vacinação em Bento

Perguntas e respostas: Fonte: Ministério da Saúde

  • Qual a letalidade da doença? Cerca de 50% dos pacientes que desenvolvem a forma grave da febre amarela morrem em um período de 10 e 14 dias.
  • Quais são as reações possíveis à vacina? Ela deve ser tomada por todos? Efeitos colaterais da vacina são raros. O imunizante é contraindicado para crianças menores de seis meses, pessoas imunodeprimidas e com reação alérgica a ovo, idosos acima de 60 anos, gestantes, pessoas portadoras do vírus HIV ou com doenças hematológicas devem consultar um médico.
  • Quem precisa tomar a vacina integral? Além dos viajantes, crianças de 9 meses a 2 anos e pessoas com condições clínicas especiais.
  • Já sou vacinado. Preciso repetir a dose? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, estudos mostram que uma só aplicação é capaz de dar imunidade para toda a vida.
  • E se vier tomar a dose fracionada? Ela é segura? Qual a validade? Sim, ela tem a mesma eficácia da dose integral, mas a fracionada só protege por até oito anos, segundo o Ministério da Saúde.
  • Quando o viajante deve tomar a vacina contra a febre amarela? A vacina é essencial para quem viaja a áreas endêmicas dentro do Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, hoje elas são: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Piauí, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro.
  • Quais países exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP)? A lista atual tem mais de 100 países e a imunização deve ocorrer 10 dias antes da viagem. A lista completa pode ser visualizada através do link: http://bit.ly/paiscivp.
  • Onde posso tirar o CIVP? Nos Centros de Orientação para Saúde do Viajante. Os locais podem ser consultados através do http://bit.ly/centroscivp.
  • Além da vacinação, como é possível se proteger? As pessoas podem evitar a picada do mosquito silvestre transmissor da doença com repelentes, roupas compridas e telas de proteção.

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Ranieri Moriggi

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