Editorial

Fé que sobrepõe o medo

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

Muito se fala dos inúmeros desafios e problemas enfrentados pelos professores; homens e mulheres responsáveis pela formação de nossa juventude, que forjará o futuro do Brasil. Mas uma questão, em especial, se destaca: a violência. Nos últimos anos ela tomou conta das escolas em todas as regiões do país, provocando insegurança e intranquilidade ao ambiente de ensino, cada vez mais deteriorado pelos confrontos entre alunos e mestres. Realidade que contribui, ainda mais, para a péssima qualidade da educação no país, fato atestado por todas as pesquisas relativas ao tema.

São muitos os casos reportados pela mídia de professores agredidos até fisicamente e que, antigamente, tinham o respeito absoluto de toda a sociedade, notadamente dos estudantes. Agora, são obrigados a lutar, diariamente, contra riscos inerentes à sua função, ficando em segundo plano a educação dos jovens e adolescentes. A verdade é que educar, muitas vezes, é deixado de lado por causa dos enfrentamentos verbais e até físicos dentro da sala de aula, que se tornaram desafios maiores do que o próprio ato de ensinar.

Os educadores se sentem desamparados para enfrentar problemas muito graves, que vão do tráfico de drogas dentro dos estabelecimentos de ensino, em plena luz do dia, até a perda de alunos para a criminalidade. Tudo isso demonstra a fragilidade do sistema educacional para conter a violência, de um modo geral, no ambiente escolar.

A intolerância que tomou o país também tem reflexos no sistema educacional

São imagens do passado os tempos em que o mestre representava a autoridade suprema em sala de aula. O respeito a ele era cultivado por pais e alunos. O educador era, no final das contas, a continuidade da família. Chegava a ser reverenciado. Os desafios atuais são tantos e de tamanha grandeza que fica difícil para os jovens escolher a carreira do magistério, hoje cercada de perigo. São inúmeros e cada vez mais frequentes os casos de afastamento de professores por questões de saúde e uso de medicamentos para ajudar a enfrentar a pressão do dia a dia.

Em contraponto a essa realidade, ano após ano, Bento Gonçalves tem conseguido minimizar os problemas nos educandários, reflexo apresentado pelos estudos do Estado. Os locais onde antes sequer possuíam diretores, como a escola Conceição, hoje servem de referência para outras escolas, com baixos índices de problemas e bons resultados.

É fato, e os próprios educadores e seus representantes enfatizam, que a escola, na realidade, reproduz a sociedade, que no Brasil convive com um dos mais altos índices de violência do mundo. A intolerância que tomou conta do país também tem reflexos no sistema educacional. Mas mesmo sabendo que os problemas nas escolas são enormes, o professor se dispõe a se expor a toda sorte de agressões para poder levar conhecimento aos seus alunos, na fé de que um dia, esses serão responsáveis pela condução do país.

Sobre o autor

Cristiano Migon

Cristiano Migon

editoria@jornalsemanario.com.br

Deixe um comentário