Cultura

Escultura de Mauri Menegotto ilustra e dignifica as entidades

Cleunice Pellenz
Escrito por Cleunice Pellenz

A obra expressa a força do imigrante italiano e a uva, símbolo de Bento

A arte, de acordo com o dicionário, é a habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional. É uma capacidade especial, aptidão, jeito, dom. Muito mais que tudo isso, ela representa histórias, mas também a cultura de um povo. A Casa do Artesão e Artista Plástico do município celebra mais um grande momento esta semana: a inauguração de uma escultura, esculpida por Mauri Menegotto, que recepciona os visitantes do local.

A atividade ocorreu na segunda-feira, 10, e foi prestigiada por lideranças, artesão e artistas plásticos, padrinhos, amantes da arte e público em geral. A iniciativa partiu de Beatriz Giovannini e foi apoiada pelos demais artistas. “Fico feliz em poder colaborar um pouco. Tenho dentro da minha vida, que tudo que eu quero eu tenho que fazer e faço. Bento é uma cidade que tem muitas portas abertas e a gente sempre é muito bem-vindo. O Mauri é meu amigo de longa data, ele tem coisas lindas e tem que ser venerado. Essa obra que está aqui ele esculpiu com suas próprias mãos e isso vai ficar para sempre”, explica.

A presidente da Associação dos Artistas Plásticos de Bento Gonçalves (Aaplasg-BG), Ivete Todeschini Menegotto, agradeceu a todos os envolvidos. “Me emociono de maneira particular por ver que temos muitas pessoas queridas em nosso meio, como o poder público municipal, secretários, padrinhos. A obra, com as mãos que acolhem a uva, é um silêncio perfeito, uma homenagem ao nosso imigrante, a nossa arte, à nossa cultura”, destaca.

O secretário de Turismo, Rodrigo Parisotto, aborda que muitas coisas já foram feitas na casa e que a obra vem para contribuir ainda mais com o trabalho. “A cidade está em movimento, pois a arte que vocês realizam é o que vai ficar em nossa história. Cada um está de parabéns por tudo isso. É mais um momento e um grande marco e desejamos que este ponto seja só o princípio de outras tantas mudanças”, salienta.

O secretário de Cultura, Evandro Soares, disse que o momento era de celebrar a união em prol de um bem comum: a arte. “Esse momento é resultado da união de esforços liderados por pessoas iluminadas, que não medem esforços para continuar crescendo e evoluindo. No ano de 2019, devemos desenvolver ainda mais o fomento da casa, da arte. Agradecemos ao Gotto pela parceria e a todos os envolvidos. A administração municipal está de parabéns por investir e acreditar em nosso cidadão”, frisa.

O prefeito Municipal, Guilherme Pasin, destacou a importância da história da arte para a humanidade e que a escultura é apenas mais um item que complementa o local. “Com esse monumento vocês mais do que resumem lá fora o que fizeram dentro da casa com parcerias da comunidade. Bento é uma cidade solidária, que abraça, que entrega, enxerga e ajuda e mostrou isso ao longo da história”, avalia.

As mãos que fizeram a obra

Em aproximadamente um mês, o escultor Mauri Menegotto criou a obra. Feita em pedra basalto da região – garimpada por ele em diferentes obras da cidade -, o artista explica sua obra. “Quando a dona Beatriz propôs para fazer alguma coisa para acrescentar na casa, comecei a pensar no que fazer, em uma obra que não fosse tão erudita e tão artesanal, para as pessoas poderem entender o que é. Ela é um cacho de uva, com dois braços que sustentam este cacho. Ela representa a força do imigrante italiano e a uva que é o nosso principal produto da agricultura. E acho que casou muito bem com a ideia do artesanato e da arte aqui da casa”, destaca o profissional. “Em um mês fiz essa escultura. Teve a parte da criação, o rabisco, modelei na peça de barro para ter a tridimensionalidade da obra, depois fiz a maquete em gesso, e dessa fiz as medidas. Cada corte tinha que medir, calcular e aí está o resultado”, celebra.

Amante das pedras e da arte, todos os dias ele dedica parte do seu tempo para criar, ou apenas estar em contato com os seus ‘produtos’. “Estou sempre trabalhando, não paro um dia, pois isso não é profissão, é um estado de espírito. Ganho o meu dia, muitas vezes, de apenas virar a pedra e ficar olhando, todos os dias tenho que fazer algo. O artista não pode somente fazer, tem que estudar a arte, ler, observar, e sinto que Bento, onde temos vários artistas surgindo, está caminhando para ser um polo cultural. O trabalho de cada um é individual, mas temos que nos unir, evoluir e fortalecer ainda mais esse segmento”, avalia e complementa: “Fui questionado sobre o porquê de fazer uma obra para doar e cheguei à conclusão de que temos muito também a oferecer para o município e não somente ele para nós. Se cada um fizer um pouco, teremos uma cidade sempre melhor”, finaliza.

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