Editorial

Entre a posse e o passageiro

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

A compra da casa própria é uma questão, além de pessoal, muito cultural. Muitos de nós crescemos ouvindo dos pais o quanto é importante ter o próprio teto, não gastar dinheiro morando em um imóvel que não é seu e etc. Por isso, é comum associar a compra do imóvel a um pensamento de estilo; “tenho minha casa, portanto venci na vida”. É a realização de um sonho elevada à potência da vida adulta. E está tudo bem pensar assim. Em contrapartida, em Bento Gonçalves e boa parte dos outros municípios do Brasil, o aluguel vem surgindo cada vez mais como uma boa alternativa para quem está mais suscetível a substituir o lado “emocional” pelo que se passa no próprio bolso.

Quando a gente compra um apartamento, estamos investindo no bem-estar da família, em não se preocupar com fiador, imobiliária, em poder fazer o que quiser com o imóvel sem ter que pedir permissão para ninguém e mais outras razões que pendem mais para o nosso lado comportamental. Se pensarmos na questão investimento x retorno financeiro, a coisa muda um pouco de figura. O imóvel que você compra para morar não traz rentabilidade mensal. Você não ganha dinheiro periodicamente com ele. Exceto, claro, se você alugar o quarto extra no Airbnb.

Sabemos que a decisão entre comprar ou alugar um imóvel é uma escolha difícil e que há formas diferentes de encará-la

Dependendo dos juros, há momentos em que pode ser mais lucrativo ficar no aluguel, pegar o dinheiro da compra da casa própria (ou, pelo menos, da entrada) e investir por um tempo. Com os rendimentos, pode ser possível pagar o aluguel e ainda guardar um pouco – quem sabe para comprar um imóvel melhor mais à frente.
Antes de decidir, reflita também sobre o tempo que você pretende ficar no imóvel. Caso a ideia seja ficar pouco tempo – até seis anos – melhor não pensar em comprá-lo. Isso porque o aluguel dá mais mobilidade: se ocorrer algum imprevisto, como uma mudança de emprego, por exemplo, é muito mais fácil sair do imóvel alugado do que ter que vender o seu às pressas.

Além disso, quando você faz a compra, precisa desembolsar valores altos em impostos, como o ITBI (que vale 3% do valor do imóvel) corretagem (que gira em torno de 6%), transferência e outras documentações exigidas pelas construtoras e pelos bancos.

Resumindo: sim, sabemos que é uma escolha difícil e que há formas diferentes de encará-la: com a emoção, com o bolso e algumas vezes com os dois juntos. Por isso, pondere esses pontos e o que você sente em relação ao assunto.

Sobre o autor

Cristiano Migon

Cristiano Migon

editoria@jornalsemanario.com.br

Deixe um comentário