Editorial

Em favor dos grandes

A verdade é que 2017 foi um ano de extrema dificuldade em todos os setores, mas o sentimento que fica é que o Governo Central pouco fez para minimizar seus impactos. Poderíamos ampliar o debate abordando a carga fiscal, as alterações econômicas, as tentativas frustradas do Executivo e o pagamento de emendas a deputados a “bel prazer”, batendo na porta dos bilhões. Mas para fazer justiça e não generalizar a bagunça financeira do País, precisamos nos concentrar em apenas um tópico por vez, e nesse caso, é o custo dos combustíveis.

Só no segundo semestre de 2017, a Petrobras mudou os preços dos combustíveis mais de 100 vezes. Só em Bento Gonçalves o preço teve acréscimo de 15% entre 2017 e início de 2018. E uma das consequências dessa política foi que as distribuidoras e os donos de postos precisaram se adaptar a esse sobe e desce constante. Está quase impossível acompanhar os movimentos para cima e para baixo do preço dos combustíveis. Desde que a Petrobras passou a vincular os reajustes ao mercado internacional, o valor muda em média, três vezes por semana.

Para o economistas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), não há dúvida de que os reajustes refletem no cálculo da taxa da inflação do ano. Preços livres, como hortifrutigranjeiros, por exemplo, que vêm com uma variação bastante baixa nos últimos meses, de certa forma tendem a sentir o impacto do reajuste da gasolina e, principalmente, do diesel.

Mas o problema não para por aí. Além da constante oscilação de preços e do repasse dos valores à ponta, a variação do combustível tem impactado também nas vendas dos postos. Claro, com a gasolina e o Diesel mais caros (não acreditamos que alguém use álcool com o preço no patamar que está), a tendência é que se economize, adotando meios alternativos de locomoção. Aí passa a valer a sobrevivência do mais apto. As grandes redes, que conseguem remanejar custos entre seus próprios estabelecimentos tendem a suportar melhor a variação de custo/lucro que postos de recurso único. E nesse mar de incertezas, alguns já puxaram permanentemente a corrente preta e amarela que impede a passagem de carros e fecharam as portas. E desse cenário arbitrário, onde tudo vale para salvar a estatal, padece o pequeno e microempresário.

A impressão que fica é que, em similaridade ao ocorrido com o Fundo Partidário, que certamente favorecerá a manutenção de caciques em cargos políticos nas próximas eleições, a política de preços da Petrobras vai de encontro a um mercado de exclusividades, onde os grandes certamente ficarão maiores e os pequenos definharão e desaparecerão, pouco a pouco.

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Cristiano Migon

Cristiano Migon

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