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Educação: Imaculada Conceição é destaque no Rio Grande do Sul

Lucas Delgado
Escrito por Lucas Delgado

Alunos sentados e voltados a um quadro repleto de escritos feitos por um professor tornou-se um padrão de ensino pouco eficiente e nada atrativo para os alunos de acordo com diversos estudiosos da atualidade. Ao buscar alternativas a fim de melhorar o contato social entre os aprendizes e servidores, a Escola Estadual de Ensino Médio Imaculada Conceição diminuiu casos de violência e de bullying e passou a figurar entre as instituições públicas de ensino do estado.

O levantamento divulgado pela Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul através dos Cipaves (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar) coloca o Conceição – como é popularmente chamado – entre as cinco escolas que, através de diversas ações, atenuaram índices negativos que compõem a pesquisa. Os mapeamentos são feitos duas vezes ao ano, nas trocas semestrais e compara os números do semestre anterior.

Comparação das ocorrências dos últimos dois semestres na instituição.

O Imaculada Conceição teve diminuição significativa nos casos de bullying e indisciplina. Porém, o dado mais expressivo, é referente à queda nos casos de agressões verbais aos servidores (quatro casos no primeiro semestre deste ano diante dos 20 do segundo semestre de 2016).

De acordo com o diretor substituto da instituição, Moacir Machado, que assumiu em fevereiro deste ano, o diálogo entre servidores, alunos e pais foi fundamental para que houvesse a diminuição de casos de violências e desobediências agressivas. “Informamos aos pais que nós possuíamos um projeto de escola de qualidade. Um bom ensino independe da localização do colégio e os alunos têm direito a isso. Todos entenderam e ajudaram a construir isso”, afirma.

Mudanças gerais

Para obter dados tão significativos e melhoras nas relações humanas envolvendo todos que compõem a Escola Imaculada Conceição, a diretoria repensou condutas e planejamentos de ensino. “Passamos a investir em eventos que envolvessem os alunos, ampliamos a biblioteca e focamos em diversas atividades para além do habitual”, explica Machado.

Ainda, segundo ele, “o aluno precisa de outras atividades. Mesmo que seja importante, somente a sala de aula, cobrança e punição não são suficientes. É necessário diversificar para dar a chance das crianças se motivarem a estudar”.

Comportamento dos alunos melhorou de acordo com dados da Secretaria de Educação do Estado (Foto: Lucas Delgado).

Um dos pontos de equilíbrio das práticas do Conceição é oriundo do trabalho da orientadora educacional, Renata Faccenda. Segundo ela, a escola se transformou de um ano para o outro. “No passado, as brigas e problemas maiores eram constantes. Em 2o17, temos poucos registros. Isso porque pensamos de forma mais ampla. Quando há algum desvio de conduta, rapidamente conversamos e repassamos o caso para responsáveis dentro da nossa equipe ou, em casos mais delicados, para outras esferas”, pondera.

A queda nos casos de bullying, por exemplo, é fruto do uso de diversas ferramentas educacionais e psicológicas. “Passamos aos alunos seriados e documentários sobre as relações de intolerância entre jovens. Queremos que eles façam uma reflexão sobre essas situações que todo jovem passa. Assim eles se colocam no lugar dos colegas”, salienta a orientadora. Além disso, o afeto ainda é o principal instrumento para a fomentação da empatia entre os jovens. “Nós priorizamos a ótima relação com eles; de verdadeira parceria. É a chave do trabalho: ter o vínculo afetivo e a confiança com as crianças e adolescentes”, finaliza Renata.

Uma micro-rede comunitária

A valorização das relações humanas ultrapassam os muros e grades que cercam aqueles que estudam e trabalham no Imaculada Conceição. O trabalho envolve moradores dos bairros Conceição, Juventude e Tancredo.

De acordo com Renata, a escola trabalha em conjunto com o Posto de Saúde da região, Conselho Tutelar, e Brigada Militar. “Fazemos trabalho social, além do pedagógico, nesta micro-rede. Unimos as forças das instituições em prol da comunidade”. Ela explica que “os alunos do colégio, por exemplo, têm prioridades em atendimentos e contato com essas instituições. Valorizam-se as pessoas da região por conta desta ligação”, complementa.

Apesar da queda dos números, o diretor ainda acredita na necessidade de melhores resultados no futuro. “Sabemos que falta muito apesar dos índices positivos. Precisamos chegar ao nível que a comunidade e a escola precisam e merecem ter. Estamos contentes, mas ainda estamos longe do que pensamos ser o ideal. Seguimos no caminho”, complementa.

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