Andressa Borges

Desapegue, mas…

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

Falar desse assunto não é nenhuma novidade. Há textos, vídeos, livros, placas luminosas pedindo para você desapegar. Somos da época em que o bom funcionário era aquele que ficaria no mesmo emprego, no mínimo, por 15 anos (mesmo infeliz; se estiver feliz está tudo bem!!); que você deveria ficar com o mesmo celular até ele não funcionar mais; que roupa só se compra 2 vezes ao ano; que casamentos devem durar a vida inteira.

Concordo sobre os casamentos! Hoje em dia há um problema de ansiedade e pressa em escolher os parceiros para isso, mas esse é um tema paralelo. O importante aqui é que as pessoas se sentem obrigadas a se manterem em uma relação por diversos motivos: conforto, acomodação, medo do julgamento alheio, medo de ficar sozinho. Sou tanto a favor do casamento, quanto a favor de que as duas partes devem cumprir o acordo que fizeram em caminhar juntos, se amarem e se respeitarem. Quando acaba um desses princípios e não há saída para melhorar a situação, você acha que ambos deveriam continuar juntos, sem amor, sem respeito, sem felicidade?

Nos apegamos às coisas e pessoas. E é bom que sintamos algo pelas coisas que conquistamos e as pessoas, mas veja bem: não doamos aquela calça jeans anos 2000 porque “um dia ainda vamos entrar nela”. Não trocamos de amigos porque achamos que fomos passados para trás só uma vez e que ele nunca mais fará isso. Esse apego é saudável?

A onda do desapego tomou tal proporção, que gerou sensação de frieza e egoísmo. Mas no contexto do crescimento interno, é uma prática que todos devemos desenvolver. Com sabedoria, por favor.

É difícil aceitar que nada na nossa vida é eterno e imutável. Temos dificuldade em mudar de casa, de namorado, de emprego. Você não tem que sair agora daqui chutando o balde. Apegos exagerados não são saudáveis, mas vínculos afetivos com o que conquistamos e as pessoas são absolutamente normais e devem ser preservados. Você não deve abrir mão do que é importante para você.

Praticar a lei do desapego é saudável e inevitável, mas nunca deixe que ela mude a sua capacidade de amar!

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