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Decisão do Brasileiro: Farrapos e Poli duela na final do Super 16

Lucas Delgado
Escrito por Lucas Delgado

Em Bento Gonçalves, gaúchos e paulistas buscam o título inédito da elite do rugby nacional


A tão esperada chance de conquistar o título que ficou próximo na temporada passada chegou rápido para o Farrapos Rugby Clube. Um ano depois, empurrado pelo seu torcedor e com retrospecto invejável como mandante, a equipe enfrenta a Poli Rugby, de São Paulo, na decisão do Campeonato Brasileiro de Rugby XV, o Super 16, na tarde de sábado, 13.

Independente de quem vencer no confronto no Estádio da Montanha, o rugby nacional terá um campeão inédito. A partida coloca frente à frente os atuais campeões do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Jovem equipe na elite brasileira, a Politécnica faz a sua primeira decisão de Campeonato Brasileiro; o Farrapos, por sua vez, tem a missão de superar 2017, ano no qual ficou com o vice-campeonato, ao ser derrotado pelo Jacareí.

Segundo um dos atletas do Farrapos, Guilherme Coghetto, a tendência é de que o jogo seja decidido nos instantes finais. “Acreditamos que será um duelo dificílimo, definido por apenas um ou dois pontos de diferença. Porém, temos grande confiança no nosso trabalho e acredito que virá para o nosso lado”, projeta o atleta que recentemente voltou a vestir as cores do clube bento-gonçalvense (saiba mais a seguir).

Os dois times envolvidos na decisão têm atletas que integraram recentemente ou ainda integram o grupo da Seleção Brasileira. Portanto, além de serem arranjos fortes que chegam à uma decisão, possuem individualidades importantes. “Sabemos que a Poli tem jogadores fora de série, mas a gente acredita no potencial do nosso conjunto, temos muita confiança na gente. E isso pode ser o grande diferencial que podemos ter no confronto”, analisa Coghetto.

Força local

Ao contrário de 2017, ano no qual o Farrapos disputou a final em Blumenau/SC, com mando de campo neutro, dessa vez o time terá a chance de atuar diante de seu torcedor. Como mandante, o Farrapos é imbatível há pouco mais de dois anos. O último tropeço foi em 2 de outubro de 2016, contra o Band Sarancens pelo Brasileiro.

De acordo com Guilherme Coghetto, o Farrapos tem uma conexão que não há em nenhum outro lugar do país. “A comunidade abraçou o clube de uma maneira incrível. Dá um arrepio ver e jogar com essa torcida”, e ainda adiciona que “o papel da comunidade de Bento Gonçalves no jogo do Farrapos é fundamental. Quanto mais apoio temos vindo deles, mais longe vamos”, acredita.

A grande final do Super 16 inicia às 15h no Estádio da Montanha. A entrada para assistir a Farrapos Rugby Clube e Poli Rugby é gratuita ao público. O canal por assinatura Bandsports transmitirá o confronto.

“Sempre fui Farrapos; será inesquecível”

Guilherme Coghetto é um dos personagens dessa grande decisão do Campeonato Brasileiro. Natural de Farroupilha, o fullback formado no Farrapos esteve distante do clube que o projetou por alguns anos; neste segundo semestre, retornou para ajudar o time a tentar a conquista do título nacional inédito na história dos bento-gonçalvenses.

Coghetto esteve em ação com as cores do Farrapos por diversas vezes. Porém, em 2016, o salto para uma rotina voltada ao rugby o fez mudar de ares. Naquele ano, migrou para Santa Catarina, onde passou a vestir as cores do Desterro Rugby Clube e integrar uma das academias de Alto-Rendimento da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) e vestir a camiseta dos Tupis, a Seleção Brasileira. Pelos catarinenses, justamente no ano de estreia, ficou com o vice-campeonato brasileiro.

No ano passado, o jogador ainda foi atuar em ligas do rugby da Austrália, um dos mais importantes polos da modalidade no mundo. Coghetto avalia a experiência como fundamental para a sua atual fase como atleta e a futura, como treinador. “Vi como uma necessidade a ida, aprender uma escola de rugby diferente. Especialmente me desenvolvi como jogador, é uma outra mentalidade de ação”, avalia

Prestes a disputar a primeira final com o seu clube formador, Guilherme Coghetto confidencia a expectativa de entrar em campo nesta tarde. “Conversava com o Duda [Zanrosso, capitão] que temos que aproveitar toda essa semana, cada dia. Não é sempre que se pode jogar uma final de Campeonato Brasileiro”, avalia.

Com a expectativa de encontrar o Estádio da Montanha mais uma vez pulsando a favor de seu time — assim como ocorrera na semifinal, diante do ainda atual campeão Jacareí —, Coghetto relembra o caminho percorrido até aqui: “Eu me criei no Farrapos; foi onde conheci o rugby. Sempre fui Farrapos, não escondo isso. Vou jogar uma final de Campeonato Brasileiro pelo clube em que comecei, com casa cheia na Montanha. Será um dia inesquecível”, conclui.


Fotos: Lucas Delgado

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