Paulo Vicente Caleffi

Da viagem do Cleimar

Ele foi um leal colega de trabalho e hoje é empresário do setor de transportes: o Cleimar. Já são passados 25 anos deste fato.

Foi na sua primeira viagem “pilotando” caminhão, para atender o que acontece com empresários do modal de cargas que tudo fazem para disponibilizar os produtos de Bento em todo território do Brasil.

Era época de final de ano e no depósito da empresa de transporte algumas mercadorias deveriam ser entregues antes do Natal. O Cleimar, proprietário da empresa, se dispôs a viajar até a Região Nordeste do Brasil para fazer as entregas e convidou sua esposa Solange para que o acompanhasse no trabalho.

Neste caso a cabine do caminhão se transforma em dormitório.

Já em Curitiba a Solange perguntou: “Falta muito para chegar?”

No Rio de Janeiro, metade da viagem, estacionaram num posto de abastecimento de combustível, ao lado da estrada para passar a noite e colocaram as toalhas nos vidros da cabine para escurecer o “dormitório”. Logo uma rameira bateu na porta do caminhão e perguntou: “Tem puta aí?”. Coisas da estrada.

A Solange colocou a cara no vidro e foi rápida na resposta:

– “Já tem sim! Te manda para outro caminhão”. Salvou o marido.

Em Porto Seguro, na Bahia, a praia foi uma tentação. Depois de dias viajando o corpo bem que merecia um refresco.

Foram banhar-se no mar limpo e na areia literalmente iam fritando a carne branca, própria de nosso povo de origem italiana. Não deu outra: a tardinha foram os dois para o pronto socorro, vermelhos como papo de peru.

No regresso, depois de conseguir o transporte da mudança de um gaúcho que retornava para os pagos, aconteceu um fato novo: a cabine virou pura fumaça com pane total na parte elétrica. Habilidoso o Cleimar achou a falha e a

Solange passou quilômetros segurando dois fios elétricos nas mãos para que não se soltassem.

Mais alguns quilômetros e mais fumaça e faíscas. Ficaram na beira da estrada sem a iluminação dos faróis para continuar. Contrataram moradores locais para dormirem sob o caminhão como seguranças.

Foram vinte e cinco dias de viagem. Uma verdadeira façanha.

Sobre o autor

Paulo Vicente Caleffi

Paulo Vicente Caleffi

Empresário e cronista do Jornal Semanário.
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