Adelgides Stefenon

CRISE? Que crise é esta?

Adelgides Stefenon
Escrito por Adelgides Stefenon

Existem 2 mundos.

Na economia, todos estamos acostumados a ouvir e acompanhar as notícias do mundo real. Como está a inflação, como anda a política, como está o preço da gasolina, como está o dólar, se os preços vão subir ou não, se está sobrando dinheiro no fim do mês ou não, se as empresas estão vendendo mais ou não, se a saúde está boa ou não, se há escolas para todos, se a segurança pública está bem ou precisa melhorar. Este é um dos mundos, um mundo mais fácil, que olha para o hoje, presente, e para o ontem, passado. É um mundo onde quase todas as pessoas estão.

Mas existe um mundo que tem influência grande neste primeiro, mas que poucos enxergam. Um mundo futuro, incerto, intangível, de projeções, escuro para muitos mas que exerce uma grande influência em todos nós.

Falo do mundo das expectativas.

Como será a inflação este ano? Como andará a política? Quando aumentará o preço da gasolina? Como ficará a quotação do dólar? Os preços vão subir ou não? Vai sobrar dinheiro no final do mês ou não? As empresas estarão vendendo mais? A saúde vai melhorar ou não? E as escolas? A segurança pública precisa melhorar ou não? São as mesmas expressões que usei no primeiro parágrafo mas agora colocadas num cenário futuro, irreal ainda, mas que todos sentem e opinam.

Ainda poderemos adicionar: quem será o próximo, ou a próxima, presidente? O programa “Mais Médicos” contribuirá com alguma coisa para melhorar a saúde ou não? O Brasil vai crescer mais que 1% ou não neste ano? E no ano que vem? As passeatas previstas para 7 de setembro vão parar o país novamente ? O país aprenderá algo com o mensalão? Quando a corrupção vai desaparecer? Nunca?

Como disse, este é o mundo das expectativas e aqui no Brasil, como em todos os países, este mundo também existe. Na mente das pessoas. E é bem real.

Na minha opinião, este mundo das expectativas é o que guia a economia. Não adianta as coisas hoje estarem boas se as expectativas não são boas. Não adianta olhar este mês somente ou os últimos 6 meses se, na mente das pessoas, as coisas parecem que não estão sendo feitas corretamente. Se, neste contexto, ainda tivermos líderes políticos que não expressam firmemente para onde e como deve andar a economia, as expectativas pioram mais ainda.

A crise que vivemos, portanto, não precisa ser do mundo atual. Ela pode ser de expectativas. É a soma da fotografia que todos fazem do hoje com o que esperam do futuro. Como já disse neste espaço, está faltando definição dos rumos para este país. O Brasil não ultrapassou a barreira do subdesenvolvimento. Ainda dependemos muitos dos governos e ainda estamos na dúvida se é melhor investir na agricultura ou em tecnologia, em copiar outros países ou termos mais investimentos em inovação, em onerar menos as empresas ou aumentar os encargos, em baixar os impostos ou aumentá-los, em investir no mercado interno ou no mercado internacional, pensar nas próximas eleições ou estruturar este país para um período mais longo que 4 anos.

A crise que vivemos hoje é de expectativas. Enquanto estas não melhorarem, estaremos vivendo um mundo de incertezas. E não adianta o marketing governamental falar ao contrário. Chamo esta crise de CRISE de CONEXÃO pois conecta estes 2 mundos em que vivemos.

Pense nisso e sucesso.

Sobre o autor

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Adelgides Stefenon é economista, mestre em marketing, consultor nacional e internacional e professor universitário.
adelgides@stefenon.com.br
www.stefenon.com.br

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